Cortar cabelo em Belo Horizonte ficou mais caro. O preço médio do corte masculino chegou a R$ 71,18 na capital, alta de 2,98% em relação à pesquisa feita em outubro de 2025, quando o serviço custava R$ 69,12 em média. A barba também subiu, de R$ 50,56 para R$ 52,22, avanço de 3,29%. Os dados são do levantamento do Mercado Mineiro com 45 salões de BH.
A variação entre estabelecimentos é o que mais chama atenção: o mesmo serviço custa de R$ 40 a R$ 200 na cidade, uma distância de R$ 160 entre o mais barato e o mais caro pesquisado.
Por que a diferença de preço é tão grande
R$ 40 e R$ 200 pelo mesmo tipo de serviço não significa precificação aleatória. O valor muda conforme bairro, estrutura, experiência do profissional, tempo de atendimento, tipo de corte, público-alvo e modelo do negócio.
Uma barbearia de bairro, com estrutura enxuta e alta rotatividade, pode trabalhar com preço menor. Já um salão em região de maior renda, com decoração cuidada, produtos importados, café, lavagem, finalização, sobrancelha e equipe especializada, tende a cobrar mais.
Nos últimos anos, as barbearias deixaram de ser apenas um lugar para corte rápido. Muitas viraram espaços de experiência, com cerveja, música, serviços de barba, pigmentação, skincare e venda de produtos masculinos. Esse reposicionamento ajudou a elevar o tíquete médio em parte do mercado.
Ao mesmo tempo, ainda há clientela que procura o básico: cortar bem, gastar pouco e sair rápido. É por isso que BH consegue ter, na mesma pesquisa, cortes a R$ 40 e a R$ 200. São públicos diferentes, em regiões diferentes, pagando por propostas diferentes.
O administrador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, apontou que localização, infraestrutura e qualidade do profissional ajudam a explicar a variação, e citou mudança no comportamento do consumidor, que passou a comparar mais preços e, em alguns casos, trocar de salão.
A inflação dos serviços que o supermercado não mostra

A alta de quase 3% no corte masculino parece pequena, mas reflete algo que afeta o bolso de forma silenciosa: a inflação dos serviços.
Diferentemente de produtos de supermercado, que podem ser trocados por marcas mais baratas ou comprados em promoção, serviços presenciais dependem de mão de obra, aluguel, tempo de atendimento, localização, energia, cosméticos e padrão de experiência. Não dá para fazer promoção de relâmpago num corte de cabelo.
Para o dono do salão, a conta ficou mais pesada. Aluguel comercial, energia, comissão de profissionais, encargos, máquinas, lâminas, toalhas, cosméticos, manutenção e plataformas de agendamento entram no preço final. Produtos de finalização, barba e tratamento capilar também ficaram mais sofisticados — e mais caros. Quando parte desses itens é importada ou dolarizada, a pressão sobre o preço aumenta.
A mão de obra é outro fator. Um bom barbeiro fideliza cliente e permite cobrança maior. Em mercado competitivo, profissional qualificado não fica parado. Muitos trabalham por comissão, cadeira alugada ou agenda própria, o que muda a divisão da receita dentro do salão.
O que aconteceu com o preço feminino
O corte feminino teve comportamento diferente: queda média de 2%, passando de R$ 139,42 para R$ 136,21. Ainda assim, continua bem mais caro que o masculino e tem variação ainda maior, de R$ 40 a R$ 468.
Esse contraste mostra que o mercado de beleza em BH não está simplesmente reajustando tudo para cima. Há disputa por cliente, tentativa de segurar preço em alguns segmentos e diferenças grandes entre serviços e perfis de estabelecimento.
A conta no fim do ano
Um corte masculino de R$ 71,18 por mês representa R$ 854,16 ao ano. Se o cliente também fizer barba mensalmente pelo preço médio de R$ 52,22, a conta passa de R$ 1.480 em 12 meses.
Para famílias com mais de uma pessoa usando serviços frequentes, o impacto aparece de verdade no orçamento.
O que isso revela sobre o custo de viver em BH
O corte de cabelo ainda é um gasto comum, quase obrigatório para muita gente. Mas deixou de ser barato em boa parte da capital.
Com média acima de R$ 70 e preços que chegam a R$ 200, o corte masculino virou um jeito simples de perceber uma inflação que nem sempre aparece no carrinho do supermercado, mas está lá todo mês. É o custo da cidade se refletindo em cada serviço que depende de mão de obra, espaço físico e tempo de atendimento.
BH tem barbearias de bairro, salões tradicionais, redes de beleza, espaços premium e profissionais independentes. Essa diversidade segura parte dos preços, mas também mostra como os serviços passaram a refletir as desigualdades de consumo da cidade de forma muito direta.





