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Maroon 5 volta ao Brasil mas não vem a BH. Entenda por que a capital mineira ficou fora

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O Maroon 5 volta ao Brasil em setembro com quatro datas confirmadas, mas Belo Horizonte não está na rota. A “Love Is Like World Tour” passa por São José do Rio Preto no dia 6, São Paulo no dia 8, Salvador no dia 10 e o Rock in Rio no dia 12 — e a capital mineira não entrou nem como praça complementar. 

A ausência chama atenção porque a banda esteve em BH em 2023, na inauguração da Arena MRV como palco internacional, e porque a cidade tem arena moderna, público consumidor e posição central no Sudeste.

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A decisão não foi explicada oficialmente pela produção. Mas reacende uma discussão que o mercado de entretenimento local conhece bem.

O que aconteceu em 2023

Divulgação

A última passagem do Maroon 5 por BH foi em 9 de setembro de 2023, no Celebra BH, evento de inauguração da Arena MRV que também teve show do Jota Quest. A apresentação marcou a estreia internacional do estádio do Atlético como espaço multiuso.

O show aconteceu, a arena funcionou, a experiência foi positiva para boa parte do público. Mas a velocidade de venda dos ingressos não teve o esgotamento imediato visto em outros mercados.

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Esse dado, por si só, não prova que houve baixa procura — shows de grande porte trabalham com lotes, liberações graduais e ajustes de ocupação. Mas para produtoras e patrocinadores internacionais, a velocidade de venda é um dos principais critérios de avaliação de praça. Um show que demora a girar bilheteria pode deixar a cidade menos competitiva nas próximas rotas.

Os organizadores do evento na época admitiram que falharam na divulgação do show, contando apenas com a força da marca do Atlético para vender ingressos para a torcida.

Como a conta funciona para uma turnê internacional

Cada cidade numa rota internacional precisa justificar uma lista cara de custos: transporte de equipamentos, montagem de palco, hospedagem da equipe, aluguel de estádio, operação local, segurança, comunicação e taxas.

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Se o mercado dá sinais de risco, a tendência é concentrar a turnê em cidades com venda mais previsível.

São Paulo entra quase automaticamente em qualquer rota de peso. O Rio veio pelo Rock in Rio. Salvador tem arena grande, calendário turístico forte e se estabeleceu como praça sólida no Nordeste. São José do Rio Preto, apesar de não ser capital, atende uma região de alto poder de consumo no interior paulista e evita a concorrência direta com a capital.

BH não entrou em nenhum desses critérios desta vez.

O que BH precisa para entrar nas rotas com mais frequência

A discussão não é nova, mas a ausência do Maroon 5 dá uma nova rodada de concretude ao debate.

Para entrar com mais frequência nas rotas internacionais, não basta ter espaço físico. É preciso que produtoras encarem BH com a mesma previsibilidade que encaram São Paulo. Isso acontece quando a venda é rápida, o público vai de fato, a operação funciona sem sustos e a cidade deixa de ser vista como risco calculado.

Parte disso depende do mercado local — consumidores que compram cedo e pagam o tíquete cheio. Outra parte depende de produtoras locais que consigam garantir condições competitivas de contratação, marketing e execução. E por fim, há também a parte que depende do tempo, que consolida reputação.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.