Quem sai de casa de madrugada em Belo Horizonte sabe: o frio chegou para ficar, pelo menos por mais algumas semanas. Minas Gerais vive dias de céu limpo, manhãs geladas e geada em áreas serranas, um cenário que deve se repetir até o fim de junho, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Defesa Civil estadual.
A pergunta que mais aparece nas buscas dos mineiros agora é simples: até quando vai durar?
O que está provocando o frio agora
Diferente do que muita gente imagina, a onda de frio atual não vem de uma massa polar especialmente forte. Segundo o meteorologista Lizandro Jacóbsen Gemiacki, do Inmet, a queda nas temperaturas está ligada a um pequeno aporte de ar mais frio combinado com condições atmosféricas favoráveis ao resfriamento noturno.
O ar mais seco que domina o estado neste momento favorece um céu limpo durante a noite. Sem nuvens para reter o calor, a perda térmica depois do pôr do sol é rápida. É esse mecanismo, e não uma frente polar clássica, que explica madrugadas tão frias com tardes ainda agradáveis.
Na Pampulha, em Belo Horizonte, a mínima mais baixa do ano até agora foi de 8,8°C, registrada no início de junho. Em Monte Verde, no Sul de Minas, o termômetro já bateu 0,1°C em maio. Nesta quarta-feira, a previsão para a capital varia entre 12°C e 25°C, com possibilidade de geada isolada no Sul e Sudoeste do estado.
Por que as tardes continuam quentes
Aqui está o detalhe que confunde muita gente: o frio de Minas Gerais em junho tem cara dupla. As madrugadas castigam, mas as tardes seguem na faixa dos 25°C a 27°C na Grande BH. Essa variação brusca entre manhã e tarde é típica do início do inverno mineiro e não deve mudar nos próximos dias.
Vale lembrar. O outono terminou oficialmente no fim de semana. O solstício de inverno aconteceu na madrugada de domingo, 21 de junho, marcando o início oficial da estação mais fria do ano no hemisfério sul.
Até quando o frio deve durar
A resposta direta é: ainda não há previsão de trégua significativa para os próximos dias. O tempo deve permanecer estável durante o início do inverno, sem chuva expressiva na maior parte do estado.
Mas o calendário aponta outro capítulo. Segundo a Climatempo, duas frentes frias continentais devem causar queda acentuada de temperatura no centro-sul do país em junho: uma na virada da primeira para a segunda quinzena do mês, e a segunda, mais forte, na última semana, já nos primeiros dias do inverno.
Isso significa que o desconforto de agora não é o pico do frio em 2026. É só o aquecimento.
Na leitura do Moon BH, esse padrão de oscilação rápida entre frio intenso e estabilidade tem se repetido ao longo do outono mineiro, e tende a se intensificar conforme o inverno avança.
O que esperar região por região
O Sul de Minas segue como a área mais castigada. Cidades de altitude, caso de Monte Verde, Poços de Caldas e Camanducaia, concentram o maior risco de geada e as marcas mais baixas do estado. O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba também entram na rota do frio mais intenso quando uma nova massa de ar avança.
Já a Zona da Mata e o Vale do Rio Doce vivem um cenário diferente. Ali, a história não é de seca e geada, mas de instabilidade. Névoa úmida nas madrugadas, nebulosidade maior e chuva isolada aparecem com mais frequência nessas regiões, mesmo durante o período mais seco do ano no resto do estado.
Para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o padrão deve seguir parecido com o desta semana. Manhãs frias, possibilidade de geada em pontos mais altos da Serra do Curral e da Serra da Moeda, e tardes que voltam a esquentar com céu aberto.
O que muda com o El Niño
Um fator que ainda gera dúvida entre os próprios meteorologistas é o papel do El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento acima do normal da porção central e leste do Pacífico equatorial, está em desenvolvimento e seu início em 2026 deve ser oficializado ainda em junho.
Por enquanto, o impacto é considerado pequeno. A tendência é de que ele só comece a interferir de forma mais clara no clima brasileiro nos meses seguintes, o que torna julho um mês chave para confirmar se o padrão de frio seco vai se manter ou se a dinâmica vai mudar.
O que fazer enquanto o frio não passa
Médicos e órgãos de defesa civil reforçam recomendações básicas para esse período. Hidratação constante, mesmo sem sensação de sede, ajuda a compensar o ar seco típico da estação. Crianças, idosos e animais de estimação merecem atenção redobrada nas madrugadas mais frias. Ambientes fechados e com aglomeração de pessoas favorecem a circulação de vírus respiratórios, então ventilar a casa, mesmo no frio, faz diferença.
Por fim, para quem depende da rua de manhã cedo, a dica prática é simples. Vestir em camadas funciona melhor do que uma peça grossa só, porque permite ajustar o corpo à diferença brutal de temperatura entre o início da manhã e o meio da tarde.
O frio em Minas Gerais ainda tem capítulo pela frente. A pergunta não é mais se ele vai aparecer de novo, mas quando.





