Contagem está prestes a ganhar um bairro planejado com potencial para mudar a dinâmica imobiliária e comercial da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O Inova Parque entrou em fase comercial e projeta Valor Geral de Vendas superior a R$ 3,5 bilhões, com lançamento previsto entre agosto e setembro.
A primeira leva deve colocar no mercado cerca de mil apartamentos ainda este ano, com entrega prevista para 2027. O projeto também prevê shopping, torres comerciais, hospital, escola, prédio de clínicas, universidade e áreas de serviços, formando um complexo de uso misto em uma das cidades mais estratégicas da Grande BH.
O empreendimento reforça uma mudança importante na leitura sobre Contagem. A cidade, historicamente associada à indústria, à logística e ao comércio atacadista, passa a disputar também investimentos em moradia, serviços qualificados, saúde, educação e consumo. O Inova Parque tenta ocupar exatamente esse espaço: um bairro onde o morador possa viver, trabalhar, estudar, consumir e resolver parte da rotina sem depender de deslocamentos longos até Belo Horizonte.
O projeto é desenvolvido pela Econ Empreendimentos e será instalado em uma área de 320 mil metros quadrados, no cruzamento da Avenida João César de Oliveira com a Via Expressa. A localização é um dos principais ativos do empreendimento, pela proximidade com corredores de transporte, acesso a BH, Betim e áreas industriais e comerciais de Contagem.
Bairro planejado em Contagem terá shopping, moradia e serviços
A proposta do Inova Parque segue o conceito de bairro planejado de uso misto. Em vez de um condomínio isolado ou de um centro comercial separado da cidade, o projeto combina apartamentos, torres corporativas, comércio, lazer, saúde e educação em uma mesma área.
No desenho geral, estão previstas 14 torres residenciais, com cerca de 2 mil apartamentos no projeto completo, além de seis torres comerciais. O plano inclui ainda o Inova Shopping e o Inova Tower, que devem funcionar como âncoras para atrair fluxo de moradores, trabalhadores, consumidores e empresas.
Também estão em negociação estruturas como hospital, escola, prédio de clínicas e universidade. Os nomes das instituições ainda não foram divulgados, porque as tratativas envolvem investidores privados. Mesmo assim, a presença desses equipamentos ajuda a entender a ambição do projeto: criar um novo polo urbano, e não apenas lançar apartamentos.
Esse tipo de empreendimento acompanha uma tendência de mercado. Com trânsito mais pesado, custo de deslocamento elevado e busca por mais conveniência, projetos de uso misto passaram a ganhar força. O consumidor quer morar perto de serviços, comércio, academia, saúde, escola e transporte. Para Contagem, esse modelo pode ser especialmente atrativo porque parte relevante da população trabalha na própria cidade ou em municípios vizinhos, mas ainda mora em BH.
Segundo informações reveladas pelo diretor da Econ, Teodomiro Diniz, ao Diário do Comércio, cerca de 35% dos potenciais compradores mapeados até agora são moradores de Belo Horizonte, especialmente de bairros como Barroca, Padre Eustáquio e Carlos Prates, que trabalham em Contagem. Esse dado é importante porque mostra uma inversão de lógica. A cidade deixa de ser apenas destino diário de trabalho e tenta virar também opção de moradia para quem já circula por ali.
Contagem entra na rota dos megaprojetos da Grande BH
A chegada do Inova Parque ocorre em um momento de transformação do eixo oeste da Região Metropolitana. Contagem e Betim concentram indústria, logística, atacado, centros de distribuição, comércio popular e uma grande base de empregos. Ao mesmo tempo, ainda têm áreas com potencial de adensamento urbano e novos projetos imobiliários.
O Eldorado já funciona como centro comercial consolidado. A Via Expressa conecta Contagem a Belo Horizonte e Betim. A Avenida João César de Oliveira segue como uma das artérias mais importantes da cidade. O projeto também se beneficia da expectativa em torno de melhorias de mobilidade, incluindo BRT e a futura estação de metrô Beatriz, prevista para a região.
Esse conjunto ajuda a explicar por que o mercado vê espaço para um bairro planejado de grande escala. Contagem tem demanda de moradia, emprego, serviços e consumo. O que faltava, em parte, era um projeto capaz de concentrar esses elementos em um ambiente urbano mais organizado.
O impacto, se o empreendimento avançar como previsto, pode ir além da venda de apartamentos. Um complexo desse porte tende a atrair restaurantes, clínicas, escolas, academias, escritórios, serviços médicos, lojas, empresas e operações de conveniência. Também pode mudar o valor dos imóveis no entorno e pressionar novos investimentos em infraestrutura.


