HomeBH e MG NotíciasGoverno agora mira entregadores de aplicativo em MG e novidade pode afetar...

Governo agora mira entregadores de aplicativo em MG e novidade pode afetar o Delivery

Publicado em

A nova linha de crédito do governo federal para compra de motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas pode mexer diretamente com a economia do delivery em Belo Horizonte. O programa Move Brasil – Entregadores e Motoapp foi criado para financiar veículos usados por entregadores de aplicativo, motofretistas, mototaxistas e trabalhadores da mobilidade, com juros abaixo da taxa básica da economia.

As taxas previstas são de 12,5% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. O prazo de financiamento pode chegar a 48 meses, com dois meses de carência para começar a pagar. Em uma simulação divulgada pelo governo, uma operação de R$ 21 mil teria prestação próxima de R$ 552.

- Publicidade -

A contratação poderá ser feita a partir de 13 de julho, depois do cadastro na plataforma oficial do programa. A aprovação inicial confirma que o trabalhador atende aos critérios, mas não garante automaticamente o crédito. O financiamento ainda dependerá da análise dos bancos.

A medida chega em um momento em que o delivery deixou de ser serviço complementar e virou parte da infraestrutura urbana. Restaurantes, supermercados, farmácias, lojas de conveniência, e-commerce e pequenos negócios dependem da entrega rápida para vender mais e atender consumidores que já incorporaram o pedido por aplicativo à rotina.

Em BH, esse mercado se espalha por bairros de grande consumo, como Savassi, Lourdes, Funcionários, Buritis, Pampulha, Castelo, Cidade Nova, Barreiro e região hospitalar. A moto do entregador passou a ser uma extensão do balcão. Quando a frota é velha, insegura ou cara de manter, o custo aparece na renda do trabalhador e na operação de quem vende.

- Publicidade -

Crédito para motos pode renovar frota de entregadores

O programa permite financiar um veículo por beneficiário. Entram na lista motos, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas produzidos no Brasil, bicicletas e veículos autopropelidos elétricos de até 1.000 watts e motos, motonetas e ciclomotores elétricos de até 7.500 watts, desde que produzidos no país ou vinculados a projeto de produção nacional.

Para participar, o trabalhador precisa estar cadastrado em plataforma de aplicativo há pelo menos seis meses e ter realizado no mínimo 100 corridas ou entregas. Também podem acessar a linha ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa. Quando o veículo exigir habilitação, será necessária CNH categoria A.

A compra de uma moto nova pode alterar a conta de quem vive das entregas. Veículo mais novo tende a reduzir gasto com manutenção, diminuir risco de quebra, melhorar consumo de combustível e dar mais previsibilidade à jornada. Para quem roda muitas horas por dia, a diferença entre uma moto em bom estado e uma moto desgastada pode definir o lucro real no fim do mês.

- Publicidade -

O efeito também chega às oficinas, lojas de peças, concessionárias, seguradoras, despachantes e empresas de rastreamento. Uma linha de crédito voltada a entregadores não movimenta apenas a compra do veículo. Ela puxa uma cadeia de serviços ao redor da mobilidade urbana.

No caso das bikes elétricas, o impacto pode ser mais forte em áreas adensadas e com trajetos curtos. Elas podem atender entregas de restaurantes, farmácias e mercados em regiões onde estacionamento, trânsito e custo de combustível tornam a moto menos eficiente. Ainda assim, a adoção dependerá de autonomia, segurança, pontos de recarga e perfil das rotas.

Delivery em BH pode ganhar produtividade, mas dívida exige cuidado

Entregador do ifood – Créditos: Reprodução

A linha de crédito tem potencial para renovar a frota, mas também exige cautela. Para muitos entregadores, a moto é instrumento de trabalho, mas a prestação vira uma despesa fixa. Se a renda oscila, se o aplicativo reduz demanda ou se o trabalhador fica doente, a dívida continua.

Esse é o principal risco do programa. Juros subsidiados ajudam, mas não eliminam a necessidade de calcular combustível, seguro, manutenção, documentação, pneus, depreciação e tempo efetivo de trabalho. A prestação de cerca de R$ 552 em uma simulação de R$ 21 mil pode caber para quem roda todos os dias, mas pesa para quem faz entregas como complemento de renda.

Também há um debate sobre segurança. Frota mais nova pode reduzir falhas mecânicas, mas não resolve sozinha problemas como pressão por velocidade, longas jornadas, exposição ao trânsito e falta de infraestrutura viária. Para melhorar a condição dos entregadores, crédito ajuda, mas precisa caminhar junto com fiscalização, educação no trânsito, pontos de apoio e melhores condições de trabalho.

Para restaurantes e pequenos negócios de BH, a medida pode ter efeito indireto. Entregadores com veículos mais confiáveis tendem a cumprir rotas com menos interrupções. Isso ajuda o comércio que depende de prazo curto e avaliação do consumidor no aplicativo. Uma entrega atrasada, fria ou cancelada afeta tanto o trabalhador quanto a loja.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.

Veja outras notícias