A Polícia Militar de Minas Gerais lançou uma revista em quadrinhos voltada para crianças e adolescentes das escolas do estado. Batizado de “A Tropa do PM Amigo Legal”, o material será usado como ferramenta educativa para aproximar a corporação do público infantil e levar temas de segurança pública para dentro da rotina escolar de forma mais leve.
A iniciativa foi apresentada durante a abertura das comemorações dos 251 anos da PMMG, em Belo Horizonte. A distribuição das revistinhas será feita de forma periódica por policiais que atuam no Programa Educacional de Resistência às Drogas, o Proerd, em todas as regiões de Minas Gerais.
O conteúdo aborda assuntos como cidadania, civismo, boas escolhas, preservação ambiental, prevenção às drogas, respeito à diversidade e cultura de paz. A proposta é usar personagens, desenhos e histórias curtas para falar com crianças em uma linguagem mais próxima da idade delas, sem transformar segurança pública apenas em medo, repressão ou punição.
A escolha pelos quadrinhos também tem um sentido pedagógico. Para crianças, temas complexos costumam ser melhor compreendidos quando aparecem em situações do cotidiano. Uma história sobre respeito ao colega, cuidado com estranhos, uso correto do telefone de emergência ou recusa a drogas pode ter mais efeito quando apresentada em uma narrativa simples do que em uma palestra formal.
Segurança pública começa antes da ocorrência
A aproximação entre crianças e segurança pública tem importância justamente porque a escola é um dos primeiros espaços de convivência coletiva fora de casa. É ali que muitos estudantes aprendem regras de convivência, limites, respeito ao outro, cuidado com o patrimônio e formas de pedir ajuda.
Quando esse contato é bem conduzido, a presença da polícia deixa de ser vista apenas como algo ligado ao crime e passa a ser compreendida como parte de uma rede de proteção. A criança entende que pode procurar um adulto de referência, um professor, a família ou um policial em situações de risco.
Esse tipo de ação também ajuda a fortalecer a prevenção. Segurança pública não se resume ao atendimento de ocorrências depois que o problema aconteceu. Ela envolve orientação, escuta, presença comunitária, identificação de riscos e construção de confiança entre instituições e moradores.
No ambiente escolar, esse vínculo pode fazer diferença. Crianças e adolescentes que conhecem canais de ajuda têm mais chance de relatar situações de violência, ameaça, abuso, aliciamento, bullying ou exposição a drogas. Para que isso funcione, porém, a abordagem precisa ser cuidadosa, educativa e integrada à comunidade escolar.
A revista em quadrinhos entra nesse ponto. Ela não substitui professores, famílias, psicólogos, assistentes sociais ou políticas públicas de proteção. Mas pode funcionar como porta de entrada para conversas que muitas vezes não acontecem em casa ou na sala de aula.
Proerd amplia alcance da mensagem
O uso do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas) como canal de distribuição também não é casual. O programa já tem presença em escolas mineiras e trabalha com prevenção ao uso de drogas e à violência entre jovens. Segundo informações da Secretaria de Estado de Educação, o Proerd tem origem no modelo D.A.R.E., criado nos Estados Unidos em 1983 e presente em mais de 58 países.
Em Minas, as aulas são ministradas por policiais militares fardados, com orientação por manuais específicos. A ideia é trabalhar autoestima, resistência à pressão do ambiente, cidadania e tomada de decisão. A revista em quadrinhos passa a ser mais um material nessa abordagem.
Nos últimos anos, a segurança nas escolas ganhou espaço maior na agenda pública. Em 2023, a PMMG já havia lançado uma cartilha com dicas voltadas ao ambiente escolar, dentro de uma operação preventiva para ampliar a rede de proteção em unidades públicas e privadas. Naquele momento, a corporação também passou a orientar estudantes e profissionais sobre boatos, ameaças, autoproteção e canais de denúncia.
Em 2026, o governo estadual também lançou o programa Guardiões da Escola, com presença de policiais militares da reserva em unidades estaduais selecionadas. A proposta inclui ações de segurança preventiva, proteção, convivência escolar e apoio à criação de um núcleo voltado à segurança, saúde psicossocial e mediação de conflitos.
A revista da PMMG surge dentro desse cenário mais amplo, em que segurança escolar deixou de ser tratada apenas como vigilância na porta da escola. A pauta agora envolve cultura de paz, prevenção, saúde mental, diálogo com estudantes e atuação coordenada entre educação, segurança pública e famílias.
Veja aqui a revista online, divulgada pela PMMG.


