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Cassinos em Minas: a era de glamour dos resorts entre 1930 e 1946

O debate sobre a legalização de cassinos físicos no Brasil voltou ao centro das discussões legislativas em 2026, mas poucos conhecem a trajetória de sofisticação que Minas Gerais viveu entre as décadas de 1930 e 1946.

Enquanto o Congresso Nacional discute os próximos passos para a regulamentação dos jogos presenciais, o mercado de entretenimento digital já opera de forma regulada desde janeiro de 2025. Entender o passado dos cassinos mineiros ajuda a dimensionar o potencial econômico e turístico que essa atividade pode representar no futuro.

O mercado de apostas e cassinos online no Brasil

O ano de 2025 representou um marco histórico para o mercado de apostas e cassinos online no Brasil. Após anos de funcionamento sem regulação clara, o país entrou em uma fase de normalização institucional, com regras definidas, fiscalização estruturada e mercado autorizado.

Desde 1º de janeiro de 2025, as plataformas de jogos legalizadas passaram a operar com licença definitiva.

Estratégias competitivas e crescimento do setor regulado

Com o aumento da concorrência no ambiente regulado, as plataformas passaram a adotar estratégias de diferenciação para atrair novos usuários. Nesse contexto, cassinos com bônus sem depósito ganham força no Brasil como parte de uma disputa de mercado que reflete o amadurecimento do setor. Segundo a consultoria Regulus Partner, o Brasil já desponta entre os maiores polos econômicos globais do segmento, com faturamento projetado em R$ 22 bilhões até 2025. Jogue com responsabilidade.

O país desponta como um dos maiores mercados do mundo em apostas, e a expectativa é de crescimento contínuo nos próximos anos.

A era dourada dos cassinos em Minas Gerais

O período entre 1930 e 1946 representou o auge do entretenimento sofisticado em Minas Gerais. Nessa época, até mesmo figuras poderosas, como o presidente Getúlio Vargas, frequentavam as casas de jogos do estado.

Na época de ouro dos cassinos, todas as estâncias hidrominerais no Sul de Minas Gerais exploravam dois ramos do turismo: o jogo e a cura pelas águas minerais. Cidades como Caxambu, São Lourenço, Lambari e Araxá atraíam visitantes de todo o país.

Dentre essas cidades, Poços de Caldas era a mais movimentada, recebendo o apelido de “Las Vegas brasileira”. A cidade teve 20 grandes cassinos funcionando nessa época, a maioria com arquitetura majestosa e interior requintado. 

Os locais eram frequentados pela alta sociedade brasileira e recebiam visitas de figuras ilustres como Carmem Miranda, Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, impulsionando fortemente o turismo na cidade. Esse circuito faz parte do patrimônio histórico e turístico de Minas Gerais, que permanece vivo na arquitetura e na memória cultural de Minas.

A proibição de 1946 e o legado arquitetônico

Em 30 de abril de 1946, o então presidente Eurico Gaspar Dutra decretou, por meio do Decreto-Lei nº 9.215, o fechamento dos cassinos no Brasil. A decisão teve grande e imediata repercussão, pois o setor era responsável pela geração de muitos empregos.

O Brasil teve 71 cassinos que geravam 53 mil empregos antes da proibição. Após a proibição, os espaços físicos precisaram ser reinventados. Muitos hotéis mantiveram suas operações sem os jogos, enquanto algumas construções foram convertidas em escolas e centros culturais.

O Cassino da Pampulha, inaugurado em 1943 em Belo Horizonte, era frequentado pela elite e por celebridades. Hoje, o edifício faz parte do Conjunto Moderno da Pampulha, projeto de Oscar Niemeyer reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade em 2016.

A tramitação legislativa e o futuro dos cassinos físicos

O debate sobre a legalização dos cassinos no Brasil volta ao centro do Congresso em 2026. O Projeto de Lei 2.234/2022, que autoriza o funcionamento de cassinos e bingos, legaliza o jogo do bicho e permite apostas em corridas de cavalos, deve retornar à pauta do Senado.

O Senado rejeitou em dezembro de 2025, por 36 votos a 28, um requerimento que colocaria sob regime de urgência a votação do projeto, adiando a análise para 2026. A tramitação da regulamentação de cassinos no Senado Federal segue cercada de expectativa por parte de investidores e do setor turístico.

Segundo Felipe de Sá Tavares, economista-chefe da CNC, “cassinos físicos podem arrecadar mais de R$ 37 bilhões por ano com impostos”. A Confederação Nacional do Comércio estima ainda que a atividade poderia gerar 1 milhão de postos de trabalho.

Pelo texto do projeto, Minas Gerais poderia ter até dois cassinos, ao lado de Rio de Janeiro, Pará e Amazonas, enquanto São Paulo poderia receber até três estabelecimentos. Com o projeto seguindo o rito ordinário, 2026 se desenha como um ano decisivo. Se aprovado, o Brasil poderá reconectar sua tradição histórica com cassinos ao futuro do turismo e da geração de empregos.

Redação - Moon BH
Redação - Moon BHhttps://moonbh.com.br
Jornalistas especializados na cobertura diária da cultura, entretenimento e política que acontece em Belo Horizonte e no Brasil, trazendo informações precisas e objetivas.