A secretária municipal de saúde de Belo Horizonte, Cláudia Navarro, sugeriu que as UPA’s, principalmente a do Barreiro, estão lotadas por culpa da população, que deveria procurar outros locais de atendimento.

A fala logo faz lembrar o ex-prefeito de BH Márcio Lacerda. À Folha, ele explicou que os ônibus da capital andavam cheios “porque as pessoas não querem esperar o próximo”.

Para Cláudia Navarro, a situação é parecida. Erradas estão as pessoas que vão para a UPA Barreiro quando deviam ir para centros de saúde:

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“Nós temos visto nos serviços de urgência muitos pacientes que não teriam indicação de estar ali no serviço de urgência. Poderiam ser atendidos a nível de assistência primária e, as vezes pela própria questão da assistência primária, eles acabam procurando o serviço de urgência”, disse durante a última coletiva de imprensa, na PBH.

“A UPA Barreiro, ela, eu diria que ela é uma excessão apesar de saber que está existindo este problema em todas as portas de entrada, os pronto atendimentos. A UPA Barreiro abrange uma região muito grande e é a única porta, o único pronto atendimento da região”, continua.

O Moon BH questionou a Prefeitura sobra a fala de Cláudia. Perguntamos para onde as pessoas deveriam ir, se não para a UPA Barreiro. Em nota, responderam:

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“A Prefeitura de Belo Horizonte informa que os usuários da região do Barreiro que precisarem de atendimento médico podem procurar um dos 20 centros de saúde da regional. Funcionam de segunda a sexta-feira, durante 12 horas por dia. São locais em que os usuários devem se dirigir para consultas de rotina, acompanhamentos médicos, atendimentos agudos com queixa clínica, receitas, medicamentos e vacinas”.

Já na UPA Barreiro, a PBH esclarece que o atendimento é especializado: “funciona 24 horas por dia e realiza atendimentos de média a alta complexidade, como situações agudas, casos de doença já diagnosticada e que apresentaram piora ou situações que coloquem em risco a vida do paciente”.

Como a secretária disse que a unidade é a única da região e atende uma área muito grande, questionamos se haveria projetos para novas unidades. Dinheiro não falta. Como o Moon BH mostrou, o valor que a prefeitura dará de subsídio para as empresas de ônibus poderia construir um hospital do Barreiro por ano. Mas nenhuma nova UPA deve ser construída:

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“No momento, não há previsão de abrir novas unidades de urgência e emergência. Mas, para garantir a plena assistência à população, o município conta com nove UPAs, sendo uma por regional da cidade, além de 152 centros de saúde”.

Questionamos quantos médicos trabalham na UPA, quantos atendimentos são realizados por dia e uma média do tempo de espera: “A UPA Barreiro possui 20 médicos, sendo 9 clínicos, 3 ortopedistas, 6 pediatras e 2 cirurgiões. A média diária de atendimentos em 2022 tem sido de, aproximadamente, 250 pacientes. O tempo de espera para atendimento pode variar”.

A UPA funciona 24h. Em uma conta simples, constata-se que há muito mais chance de não achar médicos lá do que chance de achar. Se profissional trabalhar 44h semanais, a sua chance de encontrar um clínico geral ou generalista é de 54%. Um pediatra estaria disponível em 36% do tempo em que a UPA estiver aberta. Ortopedista em apenas 18% e cirurgião, 12%. A PBH esclareceu que está tentando contratar mais médicos.

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