Agressões, tanto verbais quanto físicas, têm sido comuns para motoristas de ônibus pelo simples fato de cumprirem com o dever de cobrar o uso de máscaras dentro dos veículos.

O caso mais recente ocorreu no Bairro São Gabriel, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O ônibus conduzido por Renato Evangelista dos Santos trafegava normalmente pelas ruas, um grupo de pessoas sem máscara deu sinal para a parada dele.  Ao ver que elas não usavam o acessório, o motorista gesticulou para que elas colocassem, mas sem sucesso.

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“Gesticulei sobre a máscara, e eles deram um sinal que depois (colocariam), como se fossem comprar ou conseguir a máscara depois. Não quis parar. Havia muita gente no ônibus. Já deduzi que ficariam ali em cima de mim, aglomerados. Continuei e entrei no Anel (Rodoviário)”, contou Renato.

No entanto, três pessoas próximas ao motorista começaram a hostiliza-lo pela atitude. Ele até tentou explicar que havia um risco em transportar passageiros sem máscara, mas não adiantou. Uma menina que estava acompanhada por dois homens ou agrediu.

“Uma menina desceu por último. Aí ela foi e me deu um tapa no rosto. Esperava do rapaz, mas da menina, não. Fiquei sem reação. Veio muita coisa na cabeça. Tinha uma outra passageira e foi conversando comigo, para eu ficar tranquilo”, contou. Renato não se conformou com a situação. “Me senti humilhado. Uma hora você se sente bem por ter conseguido superar, mas em outra você pensa que foi uma humilhação, uma profissão que não tem reconhecimento”.

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“Para a sociedade, o meu recado é que não devemos pensar sozinhos. Temos que pensar como um todo, porque tem muita gente que tem familiares com idade já mais avançada, amigos… essa falta de cuidado, essa falta de responsabilidade de entender que essa situação que estamos passando é muito grave, que o vírus é letal, já tem bastante caso de morte, de contágio, e o pessoal não está levando a sério. Tem muita gente que às vezes sai sem necessidade. Gostaria que tivesse mais consciência e responsabilidade, porque está prejudicando a todos. Não tem distinção de classe, raça, nada”, refletiu Renato.