A Empresa Mineira de Comunicação (EMC), responsável pela Rede Minas, pela Rádio Inconfidência e pelo Minasplay, aprovou um Plano de Negócios para 2026–2027 com a meta de aumentar sua arrecadação em 40%. O avanço deverá ser acompanhado de um detalhamento das fontes de receita e dos custos dos produtos e serviços da empresa pública.
A aprovação ocorreu por unanimidade no Conselho de Administração, em 14 de setembro, após uma primeira discussão em agosto. As atas disponibilizadas pela EMC mostram que o plano reúne propostas de patrocínio, prestação de serviços, locação de espaços e monetização digital, com diferentes prazos de execução.
O que significa a meta de arrecadação de 40%
O percentual representa um crescimento sobre a arrecadação de referência da EMC. Não significa que as receitas próprias passarão a responder por 40% do orçamento, nem estabelece uma meta individual desse tamanho para cada emissora.
A ata da aprovação não informa o valor-base utilizado para calcular o aumento. Sem esse dado, ainda não é possível traduzir o objetivo em reais ou determinar quanto cada atividade precisará acrescentar à arrecadação.
Essa definição importa porque contratos com órgãos públicos, patrocínios privados e projetos incentivados têm características diferentes. O conselho pediu que as receitas sejam separadas por origem e atividade, permitindo acompanhar os resultados e identificar as áreas responsáveis por cada entrega.
Conselho quer custos definidos antes da precificação
O presidente do Conselho de Administração, Gustavo Batista Medeiros, cobrou maior detalhamento das fontes previstas no plano. A orientação inclui identificar oportunidades com órgãos públicos e mecanismos de incentivo, vinculando as iniciativas a metas que possam ser acompanhadas.
Outro ponto foi o aprimoramento da apuração dos custos dos produtos e das atividades da EMC. A empresa deverá avançar na definição de valores e critérios de precificação, considerando as particularidades da administração pública.
Para emissoras que pretendem ampliar patrocínios e oferecer serviços, conhecer esses custos ajuda a avaliar as condições de cada contrato. A cobrança do colegiado busca dar fundamento à negociação comercial e ao acompanhamento dos resultados, sem que a ata apresente uma nova tabela de preços.
Estúdios, patrocínios e receitas digitais estão no plano
No curto prazo, a estratégia prevê ampliar a articulação com órgãos públicos e identificar projetos relacionados a políticas de educação, saúde e segurança. A proposta aproveita a capacidade de produção e distribuição de conteúdo da empresa, mas não equivale ao anúncio de contratos já assinados.
Para o médio prazo, foram apresentadas iniciativas de locação de estúdios e espaços, além da estruturação de projetos patrocináveis e incentivados. A ampliação da oferta de serviços audiovisuais aparece no horizonte mais longo, condicionada à adequação de pessoal e infraestrutura.
O plano também contempla a criação de uma política de monetização dos ambientes digitais, a análise de receitas com redes sociais e a revisão do licenciamento de conteúdos. Essas frentes integram uma estratégia que reúne televisão, rádio e plataformas digitais, sem que os documentos consultados anunciem cobrança pelo acesso ao Minasplay.
Parcerias que reduzem despesas terão acompanhamento próprio
A EMC também pretende medir os benefícios de parcerias que fornecem equipamentos, produtos e serviços necessários à operação. Segundo a apresentação de agosto, essas entregas representaram aproximadamente R$ 200 mil em 2025 e R$ 176 mil no primeiro semestre de 2026.
Os valores correspondem a despesas evitadas, e não a dinheiro recebido em caixa. O conselho recomendou distinguir o tratamento gerencial e contábil dessas parcerias para evitar classificações inadequadas dos resultados.
Histórico financeiro mostra o peso dos recursos estaduais
O relatório gerencial de 2024 registra R$ 1,94 milhão de arrecadação própria, acima da previsão de R$ 1,1 milhão. No mesmo exercício, as subvenções governamentais somaram R$ 27,63 milhões, evidenciando o peso do financiamento estadual na operação.
O documento diferencia a arrecadação do faturamento, que ficou em R$ 1,62 milhão. Segundo a EMC, o resultado arrecadado foi impulsionado pelo recebimento de notas de serviços emitidas no fim de 2023, relacionadas, em grande parte, a repasses da publicidade institucional do Governo de Minas.
Esse histórico ajuda a entender a importância de identificar a origem dos recursos. O crescimento da arrecadação própria, isoladamente, não demonstra uma redução equivalente da dependência de dinheiro público.
Na reunião de setembro, o presidente da EMC, Luiz Henrique “Ike” Yagelovic, apontou novembro de 2026 como prazo-limite para a conclusão e entrega das ações previstas no Plano de Ação. O trabalho deverá estabelecer metas, responsáveis, prazos e entregas por diretoria, oferecendo parâmetros para acompanhar a execução e organizar o planejamento do ano seguinte.


