O rádio alcança 82% da população da Grande Belo Horizonte, segundo o Audio Pulse 2026, estudo do Ibope divulgado em 23 de setembro. O percentual coloca a região ao lado da Grande Porto Alegre entre os maiores alcances apresentados pela pesquisa, acima dos 77% registrados no conjunto das 13 regiões metropolitanas acompanhadas.
O resultado ajuda a dimensionar o mercado disputado pelas emissoras mineiras. Em meio à multiplicação de aplicativos, podcasts e plataformas musicais, o rádio continua encontrando um público amplo na região, enquanto suas empresas precisam decidir como acompanhar esse ouvinte nos diferentes momentos do dia.
O que os 82% realmente representam
O indicador mede alcance, ou seja, pessoas diferentes que tiveram contato com o meio dentro do período analisado. Ele não significa que 82% dos moradores estejam ouvindo rádio simultaneamente, nem corresponde à participação de uma única emissora no mercado.
Essa distinção é importante porque alcance, audiência média e participação na audiência respondem a perguntas diferentes. Uma rádio pode chegar a muitas pessoas ao longo de um período e, ainda assim, registrar números distintos quando a comparação considera um horário específico ou a permanência dos ouvintes.
Na apresentação do Audio Pulse 2026, o Ibope informa que os dados regulares de audiência de rádio têm como referência abril a junho deste ano. O levantamento reúne diferentes bases para examinar também hábitos digitais, perfis de consumo e publicidade, que precisam ser lidos conforme seus respectivos recortes.
O público circula entre aparelhos e plataformas
No conjunto pesquisado, o aparelho tradicional é utilizado por 76% dos ouvintes, enquanto o celular aparece nas respostas de 29%. Os percentuais não devem ser somados como grupos separados, já que uma pessoa pode acessar o rádio por mais de um dispositivo.
A convivência também aparece na escolha dos formatos. Entre os ouvintes de rádio, 60% consomem streaming de música e 31% acompanham podcasts, segundo a divulgação do instituto.
“O consumidor não escolhe apenas uma plataforma de áudio”, afirma Paula Carvalho, diretora comercial do Ibope, em comunicado sobre a pesquisa. A executiva relaciona essa circulação às diferentes necessidades que surgem durante a rotina.
Para uma emissora, a leitura possível é que o relacionamento com o público pode continuar mesmo quando ele deixa o receptor convencional. Ao mesmo tempo, estar disponível no celular coloca a programação no mesmo ambiente em que o ouvinte encontra inúmeras outras opções de entretenimento e informação.
Informação local continua relevante

O estudo também aponta o espaço ocupado pelo jornalismo na escuta. Entre os ouvintes, 36% acompanham noticiários locais, enquanto informações de trânsito aparecem entre os interesses destacados pelo levantamento.
São conteúdos ligados a decisões concretas da rotina, como acompanhar um acontecimento próximo de casa ou entender as condições de deslocamento. Em uma região metropolitana, esse tipo de informação pode manter a utilidade de uma programação mesmo para quem também assina serviços musicais.
A pesquisa, porém, não permite atribuir os 82% da Grande BH a um único gênero de programa. O resultado corresponde ao conjunto do meio e reúne interesses distintos, incluindo música, notícias, esporte e entretenimento.
A disputa mineira acontece dentro desse mercado
O Moon BH mostrou recentemente movimentações na audiência da Jovem Pan News e a entrada da 89 Maravilha no grupo das dez maiores rádios em um dos recortes analisados. Esses levantamentos ajudam a acompanhar a concorrência entre marcas, mas têm finalidade diferente da pesquisa sobre alcance geral.
O Audio Pulse acrescenta uma dimensão a essa cobertura: mostra o tamanho do público com o qual o mercado de rádio mantém contato. Para avaliar o desempenho de uma emissora específica, continuam sendo necessários dados comparáveis de período, faixa horária, perfil e metodologia.
O alcance interessa também aos anunciantes
Para uma empresa que pretende anunciar em BH, um meio com presença ampla merece entrar na avaliação de mídia. A escolha de uma emissora, entretanto, depende de saber quem ela alcança, em quais horários e com que frequência o público entra em contato com a programação.
Uma campanha para divulgar um evento e outra voltada a um serviço de bairro, por exemplo, podem exigir combinações diferentes. O percentual geral ajuda a identificar a relevância do rádio, mas não substitui o planejamento de cada anunciante.
Na leitura editorial dos resultados, o desafio das emissoras mineiras está em transformar essa presença em relacionamento contínuo. A Grande BH oferece um mercado expressivo; a capacidade de atender o ouvinte, facilitar o acesso e produzir conteúdo relevante continua sendo disputada diariamente.


