Duas jornalistas conhecidas do público mineiro deixaram a TV Globo Minas nos últimos dias. Karina Sommerfeld, rosto ligado à previsão do tempo nos telejornais locais, e Graciela Andrade, repórter com longa trajetória na emissora, foram desligadas em uma nova rodada de cortes na operação da Globo em Belo Horizonte.
As saídas chamaram atenção porque as duas faziam parte do cotidiano de quem acompanha a TV aberta em Minas. Karina estava associada a um tipo de jornalismo de serviço que entra na rotina do público: chuva, calor, frente fria, alerta de temporal, trânsito afetado e risco nas cidades da Grande BH. Graciela era repórter de rua, dessas que aparecem em coberturas locais e também em entradas nacionais quando Minas vira assunto para o país.
O movimento começou na semana passada, durante a cobertura da Copa do Mundo, e atingiu também profissionais da área técnica. A Globo confirmou cortes, mas não detalhou publicamente os motivos da reestruturação na unidade de Minas Gerais.
Pelo que apurou o Moon BH, todo o grupo está em fase de cortes e novas demissões, em todas as praças, estão previstas para os próximos dias.
Duas saídas sentidas pelo público mineiro
Karina Sommerfeld entrou na Globo Minas em 2009. Além de apresentar a previsão do tempo nos telejornais locais, também atuava como editora. Sua presença era daquelas que, mesmo sem ocupar a bancada principal todos os dias, ajudam a criar familiaridade com o telespectador. Em Belo Horizonte, previsão do tempo não é quadro decorativo. É serviço público.
A cidade convive com temporais fortes no verão, quedas de árvores, alagamentos, interdições, risco geológico e alertas frequentes da Defesa Civil. Por isso, quem aparece diariamente explicando o clima acaba entrando na vida prática das pessoas.

Graciela Andrade tinha outro lugar na memória do telespectador. Estava na Globo desde 2006 e participou de coberturas locais e nacionais. Depois que a notícia da demissão circulou, ela confirmou a saída nas redes sociais e lamentou o fim do ciclo. Em declaração reproduzida por veículos de bastidor, disse que foi uma decisão da empresa.
A saída de repórteres experientes costuma pesar mais do que parece. Telejornalismo local depende de gente que conhece fonte, território, rotina de rua, prefeitura, polícia, Defesa Civil, hospitais, bairros e personagens. A reportagem de TV não é só entrar ao vivo. É saber chegar, entender o contexto e contar rápido uma história que muitas vezes ainda está acontecendo.
O que os cortes dizem sobre a Globo Minas
A Globo Minas é uma das praças mais importantes da rede. Está em Belo Horizonte desde 1968 e tem papel central na produção local da emissora, com telejornais como Bom Dia Minas e MGTV. A força da operação sempre esteve ligada à capacidade de combinar notícia nacional com vida cotidiana: trânsito, chuva, política municipal, segurança, saúde, futebol mineiro e prestação de serviço.
O problema é que o jornalismo local vive uma pressão dupla. De um lado, a TV aberta ainda tem alcance e relevância. De outro, a audiência se espalhou por redes sociais, portais, rádio, WhatsApp, perfis de bairro, cortes de vídeo e influenciadores. A notícia que antes chegava primeiro pela televisão agora disputa espaço com alertas em tempo real no celular.
Nesse ambiente, emissoras tradicionais tentam reduzir custos sem perder identidade. É uma equação difícil. Quando a tesoura atinge nomes conhecidos, o corte deixa de ser apenas administrativo. Ele muda a percepção do público sobre a emissora.


