Com a prorrogação do benefício o valor deve ser reduzido pela metade, passando para R$300

O presidente Jair Bolsonaro, durante uma live nas redes sociais nesta quinta-feira (4), afirmou a possibilidade do pagamento adicional de mais duas parcelas do auxílio emergencial a trabalhadores informais, porém não informou o valor do beneficio, que deverá ser menor que R$600 pagos até o momento. O valor citado pelo governo é de R$300 mensais.

“Vai ter, também acertado com o Paulo Guedes, a quarta e a quinta parcelas do auxílio emergencial. Vai ser menor do que os R$ 600, para ir aí partindo exatamente para um fim. Porque cada vez que nós pagamos esse auxílio emergencial, dá quase R$ 40 bilhões. É mais do que os 13 meses do Bolsa Família. O Estado não aguenta isso aí. O Estado, não, o contribuinte brasileiro não aguenta isso aí”, disse o presidente.

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O auxílio emergencial foi criado em abril, com previsão original de ser pago em três parcelas de R$ 600, até junho. Mas a equipe econômica avalia ampliar o período de duração do benefício, sendo para dar suporte a trabalhadores informais, desempregados, microempreededores individuais e autônomos que ficaram sem renda na crise da pandemia do coronavírus.

A área econômica entende é possível estender o pagamento do auxílio com o mesmo valor, por um período longo, devido ao alto custo da política. Para o Ministério Público, é necessária a prorrogação, mas com o valor atual de R$600. O economista Alexandre Schwartsman defendeu a continuidade do programa enquanto a pandemia durar, mas disse que é preciso aperfeiçoá-lo, já que o país assa por uma grande crise econômica.

“A verdade é que, enquanto a gente está passando por esse período particular de quarentena, dificuldade de obter emprego, boa parte da população que não tem acesso a qualquer rede de proteção social acaba obtendo o seu sustento através disso. Ocorre que não é um programa barato. Esse programa custa alguma coisa entre R$ 45, 50 bilhões por mês. Então é muito além do que o país consegue manter. Tem problemas também de cadastro, como a gente descobriu. É um bom programa, mas eu acredito que ele tem uma data marcada para acabar e deve ser gradualmente desmantelado à medida que a gente comece a ter sinais de um crescimento econômico mais sólido, geração de empregos em algum grau voltando”, comenta.

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O programa concedeu o auxílio a 58, 6 milhões de brasileiros, e a despesa mensal estão em R$51,5 milhões, sendo arcados pelo governo e comum aumento do endividamento do país.

O governo se preocupa ainda com o pagamento indevido a pessoas que não precisam receber e omitem dados ao se cadastrar. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), mais de 8 milhões de pessoas podem ter recebido indevidamente o auxílio e ainda, 11 milhões de pedidos esperam na fila e análise.

Um relatório de acompanhamento do (TCU), mostra riscos na despesa com a prorrogação do auxílio emergencial até o fim do ano no mesmo valor de R$ 600.  No formato atual, a despesa irá a R$ 379,5 bilhões este ano, sendo hoje o custo está em R$ 152 bilhões.

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