O departamento de futebol do Santos decidiu dar um basta na política de liquidação de suas maiores promessas. A diretoria trata o lateral-direito JP Chermont como uma joia rara que precisa de uma blindagem muito mais firme do que a aplicada em ciclos recentes na Vila Belmiro, quando o clube cedeu rapidamente à pressão europeia.
Com o contrato renovado em junho de 2024 (válido até dezembro de 2027) e uma valorização salarial interna consolidada, o garoto entrou na mira do exigente mercado holandês. Em janeiro de 2026, o Ajax fez investidas pesadas pela sua contratação, mas esbarrou em um Santos irredutível.
O mito da multa progressiva e a realidade do contrato
Para enten der a postura do Peixe, é preciso separar as lendas de bastidor da realidade jurídica. Muito se especulou no mercado sobre o contrato de JP Chermont
A linha contratual documentada na renovação aponta para uma multa rescisória fixada e mantida na casa dos € 70 milhões (aproximadamente R$ 375 milhões). A blindagem atual do Santos não se baseia em gatilhos automáticos, mas sim em uma postura política firme: o clube avisou aos intermediários que sequer sentará à mesa para abrir negociações por menos de € 6 milhões.
A recusa ao Ajax e os fantasmas do passado
O contexto ajuda a explicar a rigidez da diretoria. Em janeiro, o Ajax chegou a sinalizar uma oferta de € 3 milhões por 70% dos direitos econômicos e, logo depois, subiu a proposta para € 4 milhões. O Santos considerou os valores inaceitáveis.

A decisão reflete o trauma recente da gestão alvinegra. A Vila Belmiro ainda é assombrada pelos casos de Ângelo e Marcos Leonardo, negociações que deixaram na torcida e no mercado a forte sensação de que o clube vendeu seus ativos de forma apressada e por valores abaixo do potencial. O Santos quer evitar a qualquer custo a repetição desse roteiro de “ativo subvendido”.
A valorização real e a estratégia do empréstimo
Sem o artifício da multa progressiva, o Peixe usa a vitrine esportiva para inflacionar o passe do atleta. A valorização é concreta: em janeiro de 2026, Chermont era avaliado em € 3 milhões. Hoje, o Transfermarkt já o exibe cotado a € 4 milhões, o que representa uma alta consistente de 33%. As constantes convocações para a Seleção Brasileira Sub-20 em 2025 (Sul-Americano e preparação para o Mundial) funcionam como o principal argumento político para barrar ofertas baixas.
Para acelerar essa maturação sem queimar etapas, o Santos tomou uma decisão de mercado inteligente em fevereiro de 2026: emprestou JP Chermont ao Coritiba até o fim do ano, sem indicativo público de opção de compra. O objetivo é dar rodagem competitiva ao jogador na Série B, ganhando tempo para decidir se o reintegra como titular absoluto ou se o negocia em bases milionárias na próxima temporada.
Clássico de gigantes no Mineirão
Enquanto acompanha a evolução de Chermont no Sul, o elenco principal do Santos tem um desafio de peso pela frente. O Peixe viaja a Belo Horizonte para enfrentar o Cruzeiro neste domingo (22), às 16h, no Mineirão. O clássico nacional é válido pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro e terá transmissão ao vivo pela TV Globo e pelo Premiere.