O Santos corre contra o tempo para blindar uma das maiores promessas recentes de suas categorias de base, mas esbarrou em um obstáculo tático. A diretoria alvinegra avançou nas conversas para renovar o contrato do atacante Robinho Jr, mas a assinatura travou por um motivo claro: o garoto perdeu espaço sob o comando do técnico Juan Pablo Vojvoda neste início de 2026.
Embora as reuniões com o estafe tenham sido avaliadas como positivas nos bastidores da Vila Belmiro, o projeto de extensão até 2030 esfriou. Para a família do atleta, renovar um contrato longo exige uma contrapartida esportiva: a joia precisa de minutos em campo, algo que o treinador argentino não tem garantido no Paulistão.
O atual vínculo de Robinho Jr vai até 30 de abril de 2027. O desespero da diretoria não é pelo fim imediato do contrato, mas pelo controle da narrativa de mercado. O problema é que o atacante não entra em campo há quase um mês (sua última aparição foi no dia 28 de janeiro).
Com a chegada de novos reforços e a busca de Vojvoda por um equilíbrio imediato para o time titular, o jovem foi parar no fim da fila. O próprio treinador já evitou dar garantias públicas sobre a minutagem do atleta, priorizando o desempenho do momento em detrimento do desenvolvimento da base.
A Blindagem Absurda de € 100 Milhões no Santos
O que torna esse caso uma “bomba-relógio” é o tamanho do ativo. O Santos já havia se precavido anteriormente fixando uma multa rescisória para o exterior na casa dos 100 milhões de euros (mais de R$ 530 milhões).
A negociação ganha tons de complexidade porque a carreira do garoto não é gerida por um grande escritório de empresários, mas sim pela própria família (especialmente a mãe), amparada por um corpo jurídico. Esse modelo de gestão exige que as cláusulas sejam discutidas no detalhe, dificultando acordos “padrão”. A família sabe que, sem vitrine, a multa de € 100 milhões vira apenas um número no papel.
Os 3 Caminhos para o Acordo na Vila
Para não perder o controle sobre a joia e evitar que o mercado europeu comece a assediar o jogador com promessas de titularidade, o Santos trabalha com três frentes possíveis de proposta:
- Renovação com Gatilhos: Extensão até 2030 atrelando aumentos salariais a metas de jogos disputados, gols e assistências.
- Plano Esportivo Garantido: Um acordo (mesmo que informal) com a comissão técnica para garantir uma rota de minutagem no Brasileirão ou Copa do Brasil.
- Renova e Empresta: O Santos assina o contrato longo para proteger o ativo e empresta o garoto para um clube da Série A onde ele seja titular absoluto, caso Vojvoda confirme que não o utilizará.
A reunião entre o Santos e a família de Robinho Jr pode até ter terminado com sorrisos, mas no futebol, assinatura sem tinta na caneta não vale nada. O caso expõe o dilema eterno dos clubes formadores: o Santos quer blindar o garoto no auge da valorização, mas Vojvoda precisa ganhar os jogos de domingo e prefere atletas prontos.