O Palmeiras passou os últimos anos colecionando títulos, recordes e campanhas que transformaram Abel Ferreira no treinador mais vencedor da história do clube. Existia, porém, uma competição que resistia curiosamente à dinastia alviverde: justamente aquela que deu ao português seu primeiro título nacional no Brasil.
A classificação diante do Santos colocou o Palmeiras novamente na semifinal da Copa do Brasil pela primeira vez desde 2020. Mais do que avançar entre os quatro melhores, o resultado encerra uma sequência incomum para um técnico que já conquistou 11 títulos e venceu praticamente todas as principais competições disponíveis no futebol sul-americano.
A contradição chama atenção porque não se trata de uma taça desconhecida para Abel. Em sua primeira temporada no Brasil, o português levou o Palmeiras ao título da própria Copa do Brasil e parecia iniciar ali uma relação especialmente forte com torneios eliminatórios.
Nos anos seguintes, aconteceu exatamente o contrário.
O torneio que inaugurou a era Abel virou o seu maior ponto cego
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras no fim de 2020 e rapidamente começou a construir uma das eras mais vitoriosas da história do clube. Libertadores, Brasileirão, Campeonato Paulista, Recopa e Supercopa passaram pela galeria alviverde, enquanto a permanência do treinador transformou um trabalho que poderia ter sido apenas uma boa temporada em um ciclo histórico.
O Moon mostrou em março que, com o título paulista de 2026, Abel chegou à 11ª conquista pelo Palmeiras e ultrapassou Oswaldo Brandão. A lista inclui duas Libertadores, dois Brasileiros, quatro Paulistas, uma Recopa, uma Supercopa e justamente a Copa do Brasil de 2020.
O que chama atenção é que, depois daquela conquista, o torneio nacional passou a produzir uma sequência de frustrações que não combinava com o restante do currículo. O Palmeiras caiu para o CRB em 2021, para o São Paulo em 2022 e 2023, para o Flamengo em 2024 e para o Corinthians em 2025.
Em cinco edições consecutivas, portanto, o time de Abel sequer conseguiu voltar à semifinal.
Alguns dos algozes transformaram a eliminação em título

A sequência fica ainda mais incômoda quando se observa o que aconteceu com alguns adversários depois de eliminarem o Palmeiras. Flamengo e Corinthians, responsáveis pelas quedas mais recentes, terminaram suas respectivas campanhas levantando a taça.
A Copa do Brasil acabou funcionando como um estranho limite para um time extremamente eficiente em mata-matas internacionais. Durante o mesmo período em que acumulava fases decisivas de Libertadores e conquistas nacionais, o Palmeiras encontrava obstáculos cada vez mais cedo no torneio que havia vencido logo no começo da era Abel.
A série terminou nesta semana. Depois de abrir 3 a 0 no confronto de ida, o Palmeiras administrou a vantagem diante do Santos e confirmou a vaga, voltando ao grupo dos quatro melhores após quase seis anos. Segundo o UOL, a classificação também acrescentou R$ 9 milhões à premiação da campanha, que já soma R$ 18 milhões nesta edição.
O Vasco será o adversário na semifinal, prevista para novembro.
A Copa do Brasil voltou justamente quando Abel decidiu não escolher prioridades
A classificação ganha outra camada por acontecer no momento em que Abel deixou claro que o Palmeiras não pretende abandonar nenhuma das três competições que disputa. O Moon mostrou nesta quinta-feira que o treinador decidiu assumir o risco de seguir simultaneamente no Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil.
Isso torna o retorno à semifinal mais relevante do que uma simples quebra de tabu. A Copa do Brasil volta a ser uma possibilidade concreta justamente quando o Palmeiras também lidera o Campeonato Brasileiro e segue vivo no torneio continental.
Em outras temporadas, a eliminação precoce da Copa do Brasil reduzia a quantidade de decisões no segundo semestre. Agora, o cenário é o inverso: romper o jejum significa também adicionar mais duas partidas de enorme peso a um calendário que Abel já decidiu enfrentar sem escolher uma competição principal.
Abel finalmente voltou ao lugar onde tudo começou
Existe uma espécie de círculo se fechando nessa classificação. A Copa do Brasil de 2020 ajudou a transformar um treinador ainda pouco conhecido no Brasil em comandante de um projeto que mudaria a história recente do Palmeiras.
Desde então, Abel venceu o suficiente para se tornar o maior campeão entre os técnicos palmeirenses, mas passou todas as temporadas seguintes sem retornar à semifinal daquele torneio.
A classificação sobre o Santos não entrega uma nova taça e nem garante que a anomalia desapareceu definitivamente. Ela apenas devolve ao Palmeiras a oportunidade que não aparecia desde o começo dessa história.
Depois de ganhar 11 títulos e construir uma dinastia, Abel Ferreira finalmente voltou à semifinal da competição que ajudou a apresentar seu nome ao futebol brasileiro.


