A estreia do Palmeiras na Copa Libertadores 2026, marcada pelo suado empate em 1 a 1 com o Junior Barranquilla, em Cartagena, terminou com um alerta duplo. Na entrevista coletiva pós-jogo, o técnico Abel Ferreira adotou um tom severo para expor a falta de competitividade inicial de sua própria equipe e, na mesma tacada, disparou uma ironia calculada contra a arbitragem da Conmebol, reacendendo antigas tensões de bastidores.
O alvo primário da análise do treinador foi o comportamento do elenco alviverde. O português reconheceu que o time entrou desconectado, em uma rotação perigosamente abaixo da exigência de um torneio continental fora de casa.
O apagão competitivo que destruiu o plano inicial
A leitura incisiva do comandante impede que o resultado seja creditado exclusivamente ao gramado irregular do Estádio Olímpico Jaime Morón León ou ao polêmico pênalti marcado para os colombianos. O Palmeiras foi engolido nos minutos iniciais por uma falha de postura.
Esse arranque lento cobrou um preço físico e tático altíssimo. O cenário diagnosticado pela comissão técnica evidenciou falhas claras:
- Falta de imposição imediata: O time perdeu os duelos individuais e deixou o adversário ditar o ritmo no meio-campo logo de cara.
- Desgaste desnecessário: O Verdão precisou queimar o dobro de energia correndo atrás do placar em um clima altamente desgastante.
- Ineficiência na reação: Embora tenha assumido o controle e criado muito volume no segundo tempo para buscar a igualdade, o time pecou no terço final para consolidar a virada.
A ironia sobre o VAR: um recado político institucional
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Se a cobrança interna foi cirúrgica, o discurso externo teve um alvo institucional claro. Ao ser questionado sobre o pênalti cometido pelo meia Maurício, Abel admitiu o contato, mas utilizou a resposta para dar uma forte estocada na organização.
“No ano passado o VAR não funcionou, parece que esse ano vai funcionar”, cravou o português. A frase não foi um desabafo isolado de fim de jogo. Trata-se de um recado político pesado que recoloca na mesa a insatisfação do Palmeiras com as decisões de arbitragem de 2025. O treinador indicou que o clube entra na atual edição focado em não tolerar erros, mantendo um discurso permanente de vigilância.
Dérbi ganha ares de prova de fogo para o elenco
O empate fora de casa deixa o Palmeiras com apenas um ponto no Grupo F, largando atrás do líder Sporting Cristal. Para uma equipe acostumada a ditar o ritmo em fases de grupos, o tropeço exige correção de rota imediata.
E o calendário não permite respiro. O Verdão volta a campo neste domingo, 12 de abril, às 18h30, para enfrentar o arquirrival Corinthians na Neo Química Arena, pelo Brasileirão. Após uma estreia continental morna e a cobrança pública de seu treinador por intensidade, o clássico deixa de ser apenas um jogo de rivalidade e vira o termômetro perfeito para medir a capacidade de resposta desse elenco.