A vitória no Dérbi trouxe alívio, mas a coletiva de Abel Ferreira deixou uma pulga atrás da orelha do torcedor palmeirense. Ao ser questionado sobre o retorno de Paulinho, o reforço mais caro da temporada (investimento total na casa de R$ 150 milhões), o treinador do Palmeiras foi brutalmente honesto:
“Gostaria muito, mas não sei responder isso.”
A frase não é mistério, é realidade. O atacante, que chegou com status de craque do Atlético-MG, virou uma incógnita médica. Abel admitiu que só conseguiu contar com ele por “15 minutos” de alto nível antes de o problema físico cobrar o preço.
O Drama da Tíbia: Por que a Demora no Palmeiras?
Paulinho carrega um problema crônico desde os tempos de Galo: uma fratura por estresse na tíbia (canela).
- A Cirurgia: Após o Mundial de Clubes, o Palmeiras decidiu operar para fixar o osso e fazer enxerto, visando resolver a dor de vez.
- O Processo: O clube adotou a estratégia de “risco zero”. Não há prazo, não há pressa. O objetivo é recuperar o atleta plenamente para honrar o contrato longo (até 2029), mesmo que isso signifique perder o início de 2026.
O Peso de R$ 150 Milhões vindos do Atlético-MG

A sinceridade de Abel pesa porque o investimento foi colossal.
- Compra: Cerca de R$ 115,8 milhões (apenas direitos econômicos).
- Pacote Total: Com luvas e comissões, a operação supera R$ 150 milhões. Ter um ativo desse tamanho parado no estaleiro gera ansiedade na arquibancada e pressão na diretoria. Abel tenta tirar o foco, citando a chegada de Jhon Arias como nova solução, mas o buraco deixado por Paulinho (agressividade e gol) ainda é visível.
Evolução Tímida
Nos bastidores, a informação é de que Paulinho evolui bem clinicamente e já faz trabalhos de carga. Mas “evoluir” não é “jogar”. O Palmeiras blindou o atleta. Ele só volta quando estiver 100%, sem dores e com força muscular para suportar a intensidade exigida por Abel. Pular etapas agora seria jogar dinheiro no lixo.
O Palmeiras está certo em não apressar Paulinho, mas a torcida tem direito de se preocupar. Contratar um jogador lesionado (ou com histórico recente grave) por R$ 150 milhões é um risco de mercado que Leila Pereira assumiu.
Abel Ferreira, ao dizer “não sei”, protege a si mesmo e ao departamento médico. Ele tira a responsabilidade de cravar uma data que pode não se cumprir. Se Paulinho voltar inteiro no segundo semestre e decidir títulos, o drama será esquecido. Se a recuperação se arrastar e virar uma nova novela “Ramires” ou “Jorge”, a contratação mais cara da história pode virar também a maior dor de cabeça.