O Grêmio iniciou 2026 tentando resolver um problema que já não cabe mais em ajuste pontual. Segundo auditoria apresentada ao Conselho Deliberativo, o clube fechou 2025 com R$ 935,6 milhões em endividamento total, sendo R$ 516,4 milhões a vencer no curto prazo.
O dado ajuda a explicar por que a direção passou a falar em quatro frentes ao mesmo tempo: alongar compromissos, ampliar receitas recorrentes, vender jogadores e extrair mais dinheiro da Arena. O superávit do ano passado existiu, mas o próprio cenário financeiro segue pressionado no caixa do dia a dia.
Grêmio já começou a atacar a dívida
A primeira resposta veio logo nos primeiros meses da nova gestão. O clube quitou R$ 100 milhões em dívidas nos 60 dias iniciais de 2026, usando receitas de TV, luvas comerciais, venda de atleta e operações financeiras com custo menor.
Isso melhora a credibilidade no mercado, mas ainda não resolve o problema estrutural. Com metade do passivo concentrada no curto prazo, o Grêmio precisa continuar girando caixa sem desmontar um elenco que ainda tenta se reorganizar.
A base segue como válvula de escape
Se o elenco oferece saídas de curto prazo, a base continua sendo a rota de maior potencial financeiro. A venda de Alysson ao Aston Villa por 10 milhões de euros, com mais 2 milhões em bônus, reforçou essa lógica e mostrou que o mercado segue olhando para Porto Alegre como fonte de ativos exportáveis.
Hoje, o principal nome dessa fila é Gabriel Mec. A joia já recebeu proposta de 15 milhões de euros do Shakhtar Donetsk, foi monitorada por clubes europeus e segue tratada como peça que pode render ainda mais se ganhar rodagem no profissional ao longo de 2026.
Logo atrás, o clube também blindou outros nomes. Roger renovou até o fim de 2028 com multa de 100 milhões de euros, mesma faixa usada nas tratativas por Tiaguinho, sinal claro de que o Grêmio quer segurar as joias por mais tempo antes de discutir venda.
Arena virou peça central do plano

Outro pilar da recuperação é a Arena. O Grêmio assumiu oficialmente a gestão do estádio em 1º de novembro de 2025, passou a tratar o local como negócio próprio e incluiu até naming rights no novo pacote comercial de 2026.
Esse movimento é tratado internamente como chance de elevar a receita anual em algo próximo de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões, o que ajuda a entender por que a direção ainda sustenta que não precisa vender ações para sobreviver, desde que siga formando e negociando atletas.
No curto prazo, o caminho mais racional parece misto: vender peças periféricas, segurar a joia premium da base e transformar a Arena em máquina de receita recorrente. No próximo compromisso, o Grêmio enfrenta o Palmeiras na quinta-feira, 2 de abril, às 21h30, na Arena Crefisa Barueri, com transmissão de Globo, ge TV e Premiere.