O departamento de futebol do Grêmio definiu a sua estratégia comercial para o zagueiro Viery. Após se consolidar como titular absoluto sob o comando do técnico Luís Castro, o defensor de 21 anos entrou no radar de observadores da Premier League e passou a ser tratado como o principal ativo de exportação do Tricolor gaúcho na temporada de 2026.
A diretoria admite a possibilidade de negociação, mas impõe um teto financeiro rigoroso. O objetivo é capitalizar sobre o bom momento do atleta sem repetir erros do passado envolvendo a venda precoce e subfaturada de jovens talentos da base.
A régua financeira e a blindagem contratual contra propostas de ocasião
O patamar financeiro estipulado pela gestão gremista reflete a ambição de transformar o zagueiro em uma receita histórica. Internamente, o clube trabalha com a expectativa de que o jogador atinja um valuation de € 15 milhões (aproximadamente R$ 91 milhões) na próxima janela de transferências. Esse número atua como um “filtro” pesado contra abordagens periféricas.
A segurança do Grêmio nas negociações é sustentada por uma manobra administrativa recente. O clube renovou o contrato de Viery até o fim de 2029, elevando sua multa rescisória para € 50 milhões no mercado externo e R$ 64 milhões para transferências domésticas.
Esse escudo já foi testado e validado. O Grêmio rejeitou recentemente uma tentativa de empréstimo do Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos, que previa uma opção de compra de apenas € 2,5 milhões, e também barrou abordagens preliminares do Botafogo. O recado da diretoria é cristalino: não haverá negócio por valores de liquidação.
A vitrine de Luís Castro e o peso da titularidade para o mercado europeu

A inflação no passe de Viery possui uma justificativa tática direta. O zagueiro deixou de ser apenas uma promessa para formar uma dupla de defesa sólida ao lado de Gustavo Martins em momentos críticos do ano. O técnico Luís Castro entregou-lhe minutagem, status e responsabilidade no esquema tricolor.
Para os clubes da Premier League, essa transição é o gatilho principal para a abertura de negociações. O mercado europeu tem como padrão investir cifras elevadas apenas em jogadores que já acumulam milhagem no time principal e suportam a pressão de ligas competitivas. Ao expor Viery como titular em jogos de alto nível, o Grêmio maximiza o valor do atleta de forma orgânica e acelerada.
O rombo contábil e o papel estratégico da venda no alívio do fluxo de caixa
O pano de fundo de toda essa engenharia de mercado é o asfixiante balanço contábil da instituição. A última auditoria apresentada ao Conselho Deliberativo expôs um endividamento total de R$ 935,6 milhões, sendo que R$ 516,4 milhões representam obrigações de curto prazo com vencimento ao longo de 2026.
Neste cenário, a categoria de base tornou-se a válvula de escape imediata. Uma venda na casa dos R$ 91 milhões injetaria um oxigênio vital para honrar compromissos emergenciais com fornecedores e instituições financeiras.
No entanto, a diretoria tem a clareza de que negociar Viery seria um respiro importante, não a solução definitiva para o passivo estrutural. Por isso, a ordem é aguardar que o interesse inglês se converta em uma oferta formal irrecusável, casando o preço alto com o momento esportivo sem desmanchar o elenco de Luís Castro no meio do Brasileirão.