HomeEsportesGrêmioGrêmio: O detalhe do contrato de Mayk que acelera sua saída

Grêmio: O detalhe do contrato de Mayk que acelera sua saída

Mayk está, de fato, mais perto de sair do Grêmio de forma definitiva do que de apenas trocar de empréstimo. Segundo apuração do ge, o Remo apresentou proposta para comprar o lateral-esquerdo, que hoje está cedido ao Novorizontino até 10 de julho. A tendência é de definição rápida porque a janela dos estaduais se encerra nesta semana.

A informação nova, e mais importante, está justamente no desenho do negócio. Para vender Mayk agora, o Grêmio precisa antes compensar o Novorizontino pela quebra antecipada do empréstimo. E as conversas caminham para que essa compensação seja feita por meio de percentual em futura venda. Ou seja: o movimento que ganha força hoje é de venda definitiva, não de novo empréstimo.

Isso muda bastante a leitura da história. Não é apenas um adeus burocrático. É uma operação montada para encerrar o vínculo esportivo de forma imediata e, ao mesmo tempo, redistribuir direitos econômicos entre os envolvidos. Hoje, esses direitos estão divididos entre Grêmio e Guarani, e o Novorizontino entraria nessa divisão como parte da compensação pela saída antecipada.

O Grêmio quer vender agora para não correr risco maior em julho

Há um motivo claro para o clube topar essa saída. Se Mayk voltasse apenas em julho, chegaria a Porto Alegre muito perto de poder assinar um pré-contrato e sair de graça ao fim do vínculo, que vai até dezembro de 2026. Além disso, não existe interesse esportivo em reaproveitá-lo no elenco principal.

Na prática, o Grêmio parece ter escolhido o caminho mais racional. Tenta transformar um ativo sem espaço em algum retorno técnico-financeiro, ainda que o valor da negociação não tenha sido revelado publicamente até aqui.

Sem cifra oficial na mesa, o número mais relevante hoje talvez nem seja o da venda, mas o da perda evitada: o clube quer impedir que o lateral entre na reta final do contrato sem perspectiva de uso e com risco real de saída sem compensação.

Também há um pano de fundo esportivo que ajuda a entender por que esse desfecho amadureceu. Mayk perdeu espaço depois que o Grêmio reformulou a lateral esquerda e trouxe três jogadores para a posição.

Em 2025, ele ainda enfrentou problemas físicos e chegou a trabalhar em horários alternativos ao grupo enquanto o clube buscava encaminhamento no mercado. Isso mostra que a saída não nasce de um episódio explosivo, mas de um esvaziamento progressivo de espaço.

Saída parece mais amigável do que conflituosa

Por isso, o caso tem mais cara de separação prática do que de rompimento traumático. Não houve briga pública, crise aberta ou conflito exposto entre jogador e direção. O que houve foi uma combinação de fatores bem objetiva: lesões, concorrência forte, perda de espaço e ausência de plano para reintegração em Porto Alegre.

No Novorizontino, Mayk ao menos conseguiu rodagem. Soma 33 jogos, com um gol e duas assistências, números que ajudaram a recolocá-lo em circulação no mercado. Esse dado pesa porque mostra que o lateral não está saindo do mapa; está mudando de rota.

O que ainda não vazou é a parte que o torcedor sempre quer ver primeiro: o valor exato da venda. Isso segue em sigilo. Mas o formato já diz muito. O Grêmio trabalha para uma saída definitiva, com compensação ao Novorizontino e redistribuição de percentuais, num movimento que tenta evitar prejuízo maior mais adiante.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.