HomeEsportesGrêmioConta atrasada no Grêmio: O rombo que vazou no Conselho

Conta atrasada no Grêmio: O rombo que vazou no Conselho

O número de R$ 113 milhões que vazou nos bastidores do Conselho não aponta para uma “nova compra escondida” do Grêmio. O que está em discussão, segundo os relatos que circularam nesta terça-feira, são compromissos de curto prazo ligados a luvas e comissionamentos de contratações feitas em 2025.

Em outras palavras: é dinheiro de reforços que já passaram ou ainda estão ligados ao elenco, não exatamente um pacote novo de jogadores chegando agora. O ponto sensível é que essa conta pressiona o caixa no presente.

É aí que a história ganha peso de verdade. Em novembro, o Conselho Deliberativo aprovou uma suplementação de R$ 77 milhões no orçamento, destinada prioritariamente ao plantel. Só que o vazamento dos R$ 113 milhões sugere que aquele reforço de caixa não bastou para absorver toda a fatura que ficou pendurada do ciclo anterior.

O clube aprovou as contas de 2025 nesta semana, mas o detalhamento completo do balanço ainda não havia sido publicado oficialmente no momento da sessão.

Não é “dívida de reforço futuro”; é conta de curto prazo do que já foi feito

O torcedor quer saber onde está o perigo. E ele está justamente no tipo da dívida. O valor de R$ 113 milhões aparece associado a compromissos de curto prazo, aqueles que vencem agora e pesam no fluxo de caixa do clube. Isso é diferente de uma obrigação longa, parcelada em anos, que assusta no balanço, mas não sufoca o dia a dia da mesma forma.

Quando um clube já trabalha com um passivo total que gira perto de R$ 935 milhões a R$ 936 milhões, e boa parte dele está concentrada no curto prazo, qualquer conta extra de três dígitos em milhões vira problema operacional, não apenas contábil. E esse problema bate direto na montagem do elenco, no ritmo de pagamentos e na margem para a próxima janela.

Isso pode virar transfer ban no Grêmio? Sim, mas não automaticamente

Aqui entra a comparação que o torcedor faz com o Botafogo. A resposta curta é: pode acontecer em tese, mas o R$ 113 milhões, por si só, não gera transfer ban automático. A punição da Fifa costuma nascer quando uma dívida específica com outro clube ou credor é vencida, cobrada formalmente e permanece sem pagamento.

E o Grêmio sabe bem como isso funciona. O clube já sofreu transfer ban por conta de pendências ligadas a Arezo, incluindo uma dívida de cerca de R$ 7 milhões ao Granada e outra de R$ 943,8 mil ao River Plate-URU, até regularizar a situação e reduzir o risco de nova sanção. Então, o alerta existe. Mas, no caso dos R$ 113 milhões que vazaram agora, o que se vê é mais um retrato de aperto de caixa do que uma punição iminente já configurada.

A “limpa” dos bastidores não é só técnica; é financeira

A reformulação de 2026 ajuda a conectar os pontos. O Grêmio passou por 21 saídas em pouco mais de 100 dias, pagou mais de R$ 100 milhões em dívidas e tratou muitas rescisões tentando reduzir valores ou alongar parcelas. Isso mostra que a limpeza do elenco não foi apenas decisão de campo. Foi também uma tentativa de reorganizar o caixa e recuperar credibilidade no mercado.

E como pagar essa conta? A própria direção já deu a pista: com uma mistura de receitas extraordinárias, apoio de investidor parceiro, renegociação de passivos, vendas e cortes internos. O vice de futebol citou receitas da Arena, a venda de Alysson, ajuda de Celso Rigo e a reestruturação das saídas como parte desse fôlego. Traduzindo: o Grêmio não parece ter uma solução única para os R$ 113 milhões. Tem, sim, um plano de sobrevivência baseado em várias frentes ao mesmo tempo.

No fim, o dado que vazou do Conselho reforça uma leitura desconfortável: o Grêmio ainda está pagando a conta de um mercado passado enquanto tenta sustentar o elenco do presente. E, nesse cenário, novos reforços deixam de ser sonho simples de arquibancada e passam a depender de matemática dura de caixa.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.