HomeEsportesFlamengoArrascaeta expõe nova frente contra desgaste noturno no Flamengo

Arrascaeta expõe nova frente contra desgaste noturno no Flamengo

Publicado em

Um objeto usado por Arrascaeta antes da vitória do Flamengo sobre o Mirassol chamou atenção por parecer mais um acessório futurista do que equipamento esportivo. A explicação, porém, abre uma discussão muito mais interessante do que o visual do camisa 10: jogadores começam a buscar formas de enfrentar um adversário que não aparece na escalação, o próprio relógio biológico.

O uruguaio apareceu usando um par de óculos equipado com tecnologia de emissão de luz antes da partida no Maracanã. Segundo explicação publicada pelo UOL, o dispositivo custa aproximadamente R$ 1.200 e foi desenvolvido com a proposta de aumentar o estado de alerta e auxiliar na regulação do ciclo circadiano.

- Publicidade -

Não há indicação de que o equipamento seja uma tecnologia institucional adotada pelo Flamengo para todo o elenco. A escolha de Arrascaeta, entretanto, mostra como a preparação de um jogador de elite começa muito antes do aquecimento e pode envolver até tentativas de controlar a maneira como o organismo reage ao horário da partida.

O problema começa quando o corpo entende que o dia acabou

Partidas disputadas à noite criam uma situação curiosa. Enquanto o jogador precisa atingir um dos níveis mais altos de ativação física e mental do dia, o organismo pode estar justamente começando os processos naturais associados à redução de alerta e preparação para o sono.

O aparelho utilizado por Arrascaeta tenta atuar nessa diferença. De acordo com o UOL, ele emite luz em um comprimento de onda específico com o objetivo de estimular mecanismos relacionados ao estado de vigília, sem recorrer a estimulantes tradicionais como cafeína.

- Publicidade -

Isso não transforma os óculos em solução milagrosa e tampouco permite afirmar que o equipamento melhore sozinho o desempenho esportivo. O interessante é perceber onde atletas estão procurando ganhos marginais quando alimentação, treinamento, fisioterapia, análise de desempenho e recuperação já são controlados em detalhes.

Em um futebol decidido cada vez mais por pequenas diferenças, até a hora em que o cérebro entende que precisa permanecer desperto se transforma em campo de disputa.

Arrascaeta é um personagem especialmente simbólico

FOTOS: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

A escolha ganha ainda mais significado por acontecer com Arrascaeta. O uruguaio passou uma parte importante de 2026 afastado por problemas físicos e só voltou a ficar à disposição depois de quase três meses sem atuar pelo clube, situação que fez o Leonardo Jardim administrar cuidadosamente sua utilização.

- Publicidade -

O Moon mostrou também que Pulgar, Jorginho, Lucas Paquetá e Arrascaeta haviam conseguido jogar juntos durante apenas 175 minutos em toda a temporada até o fim de agosto. O número ajuda a mostrar que montar um elenco de estrelas é uma coisa, conseguir mantê-las simultaneamente disponíveis em um calendário longo é outra.

Contra o Mirassol, Arrascaeta começou no banco e entrou durante o segundo tempo da vitória por 2 a 0. O Flamengo chegou aos 51 pontos e ficou apenas um atrás do líder Palmeiras, colocando cada detalhe de preparação sob uma lupa ainda maior na reta final do Campeonato Brasileiro.

O próximo ganho pode não estar dentro do campo

Durante décadas, melhorar um time significava principalmente contratar jogadores melhores ou desenvolver novas estratégias táticas. O futebol atual ampliou essa busca para sono, nutrição, recuperação, dados, equipamentos e tecnologias capazes de produzir ganhos mínimos que, somados, podem fazer diferença ao longo de uma temporada.

É por isso que o acessório de R$ 1.200 usado por Arrascaeta é mais interessante pelo que representa do que pelo próprio objeto. Ele revela um ambiente em que atletas procuram controlar variáveis que antes eram simplesmente aceitas como parte da rotina.

O Flamengo continuará dependendo dos gols, passes e decisões de seus jogadores para vencer. Mas, em uma disputa pelo Brasileiro separada atualmente por apenas um ponto, até convencer o organismo de que ainda não chegou a hora de dormir pode virar parte da preparação.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.