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Flamengo: R$ 260 milhões pagos por Paquetá interferem na construção do estádio?

A repatriação do meia Lucas Paquetá pelo Flamengo não representa apenas a contratação mais impactante e midiática do futebol brasileiro na temporada de 2026. Nos bastidores da Gávea, a operação é tratada como um verdadeiro teste de fogo da engenharia financeira rubro-negra. Para tirar o camisa 10 do West Ham (Inglaterra), o clube carioca topou pagar incríveis € 42 milhões (cerca de R$ 260 milhões),

consolidando o maior investimento já registrado na história do esporte nacional.

Contudo, o grande trunfo da diretoria não foi o valor bruto, mas sim a forma inteligente como essa cifra colossal foi distribuída no tempo para não estrangular o fluxo de caixa em um ano de decisões estruturais pesadas.

A matemática do parcelamento e o esforço do jogador

O Flamengo não tirou R$ 260 milhões “à vista” do seu cofre. A operação foi meticulosamente desenhada para preservar a liquidez da instituição. O acordo com o clube inglês foi estruturado em um prazo de 24 meses, divididos da seguinte forma:

  • Uma entrada à vista de € 15 milhões.
  • Três parcelas subsequentes de € 9 milhões cada, empurrando o peso da dívida para 2027 e início de 2028.

A negociação exigiu concessões raras. Para destravar os trâmites finais no momento em que o West Ham exigia um desembolso imediato maior, o próprio Paquetá abriu mão de um mês de salário na Inglaterra e assumiu do próprio bolso uma diferença de € 750 mil, valor que será descontado gradativamente ao longo de seu contrato no Rio de Janeiro.

A mensagem é clara: o Flamengo comprou caro, mas comprou com obsessão por segurança financeira.

O abismo entre o futebol e o Estádio do Gasômetro

Com faturamento superior a R$ 2 bilhões e dívidas reduzidas a menos de R$ 100 milhões, o clube ostenta uma saúde financeira irreal para os padrões sul-americanos. É exatamente por isso que a gestão do presidente Bap separou rigidamente os bolsos do “departamento de futebol” e do “projeto patrimonial”.

os cinco maiores salários do flamengo em 2026
Foto: Divulgação

O “Custo Paquetá” não inviabiliza o novo estádio porque os cronogramas são completamente distintos. A diretoria recalculou a entrega da arena no terreno do Gasômetro para 2036 (ou além), com um custo revisado de R$ 2,2 bilhões.

Como o Flamengo possui a concessão do Maracanã pelos próximos 19 anos, não há nenhuma pressa para iniciar a fase pesada de construção civil. Paquetá entra no orçamento operacional de 2026; o estádio é uma poupança estratégica para a próxima década.

O efeito dominó do salário milionário

O último grande debate recai sobre os vencimentos do atleta. Embora o clube não confirme oficialmente, o mercado ventila que Paquetá receberá algo em torno de R$ 3,1 milhões mensais. Matematicamente, em um elenco de 30 jogadores, um único salário desse porte adiciona mais de R$ 100 mil à média aritmética da folha.

Na prática, o verdadeiro custo de um supercraque não está apenas no seu contracheque, mas no precedente inflacionário que ele cria. Um teto salarial tão elevado puxa a pressão para cima em todas as futuras renovações do vestiário, exigindo um controle ainda mais rigoroso do departamento de futebol.

Agenda no Brasileirão

Após a euforia do mercado, a bola rolou. O Flamengo entrou em campo na noite de ontem, quinta-feira (19), e enfrentou o Remo no Maracanã, em partida válida pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.