Quando um clube da Premier League, a liga mais rica do mundo, decide colocar um titular da Seleção Brasileira em “promoção”, o mercado deve comemorar ou desconfiar? Essa é a pergunta que circula nos bastidores de Flamengo e Palmeiras nesta quarta-feira. Informações vindas da Inglaterra confirmam que o Tottenham estipulou um novo preço para negociar Richarlison na janela do meio de 2026: cerca de € 25 milhões (R$ 158 milhões).
O valor é tentador — quase metade do que foi pedido no ano passado —, mas a “queda livre” na etiqueta de preço expõe uma realidade incômoda que vai além das cifras.
Para o torcedor, R$ 158 milhões por um camisa 9 de Copa do Mundo parece uma oportunidade de ouro. Para os gestores, porém, o sinal é de alerta amarelo. O Tottenham não está fazendo caridade; está tentando estancar um prejuízo.
A decisão de baixar a pedida (que já foi de US$ 46 milhões em 2025) reflete o cansaço dos ingleses com a inconsistência física do “Pombo”. Com lesões recorrentes e uma temporada turbulenta, Richarlison deixou de ser visto como ativo intocável em Londres para virar um “problema de luxo” que precisa ser resolvido antes que desvalorize ainda mais.
O Risco Clínico: Comprando uma Ferrari na Oficina?
O ponto central que Flamengo e Palmeiras avaliam não é a capacidade técnica — essa é indiscutível —, mas a durabilidade. A Reuters e a imprensa britânica têm destacado a luta de Richarlison contra problemas físicos recentes. Para um clube brasileiro, pagar R$ 158 milhões é um investimento “all-in”.

- A Dúvida: Vale a pena comprometer o orçamento de três anos em um jogador que o próprio Tottenham (que tem o melhor departamento médico do mundo) desistiu de recuperar plenamente?
- O Medo: Repetir casos recentes de estrelas que voltaram da Europa com status de rei e passaram mais tempo no DM do que no campo.
O “Muro” Invisível: R$ 3,5 Milhões por Mês
Além da questão física, há a barreira silenciosa que a “promoção” da multa esconde: o salário. Na Inglaterra, especula-se que Richarlison receba algo na casa de £ 130 mil por semana.
- Isso dá mais de R$ 3,5 milhões por mês.
- Para jogar no Brasil, ele teria que aceitar reduzir seus ganhos pela metade, ou Flamengo e Palmeiras teriam que quebrar suas hierarquias salariais. Pagar R$ 158 milhões na compra é difícil, mas pagável. Pagar R$ 3,5 milhões de salário mensal é implodir o vestiário. Arrascaeta, Pedro, Veiga e Gómez aceitariam ganhar muito menos que um reforço que chega com histórico de lesão?
Oportunidade ou Cilada?

O Tottenham quer vender. O preço baixou. A janela do meio do ano é o alvo. Para Flamengo e Palmeiras, Richarlison é aquele tipo de contratação que muda o patamar da marca e do time — se ele estiver saudável. A “promoção” dos ingleses é real, mas ela tem um motivo.
O desafio dos brasileiros não é apenas assinar o cheque para o Tottenham, mas ter a certeza de que não estão comprando o problema que os ingleses não querem mais ter. Se o “Pombo” estiver voando, é barato. Se continuar pousando no DM, pode ser a compra mais cara da história do futebol brasileiro.