A gestão de John Textor no Botafogo atravessa seu momento mais delicado nos bastidores. Segundo informações reveladas pelo ge, o clube estuda entrar com um pedido de Recuperação Judicial (RJ) específico para a SAF. O objetivo é reorganizar um passivo que assusta: cerca de R$ 1,5 bilhão, sendo que quase metade desse valor vence no curto prazo.
O movimento marca uma escalada na crise. Diferente da Recuperação Extrajudicial (já em andamento para dívidas cíveis do clube associativo), essa nova medida atingiria o coração da operação do futebol, focando nos débitos contraídos ou assumidos pela empresa.
O “Número do Medo” no Botafogo: R$ 700 milhões agora
O que transforma o endividamento em crise operacional não é apenas o total de R$ 1,5 bilhão, mas a urgência. O relatório aponta que aproximadamente R$ 700 milhões são dívidas de curto prazo.
É esse montante que asfixia o caixa. Sem conseguir pagar ou rolar essa dívida, o clube enfrenta o “efeito dominó”: risco de atrasos salariais, bloqueios judiciais e dificuldade para contratar, já que o mercado passa a exigir garantias extras de quem não tem liquidez.
RJ da SAF x Recuperação do Clube
É crucial entender a diferença:
- O que já existe: O Botafogo tem uma Recuperação Extrajudicial para dívidas do clube social (o CNPJ antigo), focada em débitos cíveis históricos.
- O que está em estudo: Uma Recuperação Judicial para a SAF (o CNPJ do futebol). Isso significa blindar a operação de John Textor contra execuções imediatas, tentando criar um plano de pagamento parcelado para credores do dia a dia do futebol e investidores.
A Crise de Confiança
A notícia surge em meio a relatos de instabilidade administrativa. O ge e a Placar já vinham noticiando atrasos pontuais, cortes de custos e a promessa — ainda não concretizada — de novos aportes financeiros por parte de parceiros de Textor.
Se confirmada, a RJ funciona como um “freio de arrumação”: o clube admite que não consegue pagar tudo agora, pede proteção à Justiça para não fechar as portas e apresenta um plano de pagamento alongado.
Análise Moon BH
O Botafogo está diante da encruzilhada que nenhuma SAF quer viver: o momento em que o discurso de “projeto ambicioso” colide com a realidade do fluxo de caixa. Entrar com Recuperação Judicial na SAF não é uma manobra estratégica de crescimento, é um mecanismo de sobrevivência. Se isso acontecer, o recado ao mercado é duro: a operação gastou mais do que podia e agora precisa de ajuda do juiz para não colapsar. Para o torcedor, a preocupação é imediata, pois times que entram em campo com o financeiro no “modo pânico” costumam ter temporadas instáveis. O Glorioso precisa de governança real, e rápido.