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Cruzeiro: Pedrinho BH já recebeu retorno do investimento na Raposa?

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Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, passou a cobrar uma resposta do Cruzeiro justamente depois de dois dos maiores investimentos de sua gestão não se transformarem em avanço esportivo. A eliminação para o Atlético na Copa do Brasil, poucos dias depois da queda diante do Flamengo na Libertadores, colocou em evidência uma pergunta que vai além da pressão sobre o técnico Artur Jorge: Pedrinho BH já está recebendo dentro de campo o retorno do dinheiro que colocou na Raposa?

Desde que assumiu o controle de 90% da SAF, em 2024, o empresário ampliou drasticamente o nível de investimento no futebol. O cálculo que reúne a aquisição da SAF e os recursos destinados à montagem do elenco já ultrapassa R$ 1 bilhão, embora nem todo esse valor represente dinheiro desembolsado imediatamente.

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A conta fica mais delicada quando o retorno é medido por títulos, campanhas e capacidade de disputar as competições até o fim.

O investimento aumentou, mas os títulos ainda não chegaram

O projeto de Pedrinho mudou a dimensão financeira do Cruzeiro. O clube passou a contratar jogadores de peso, elevar a folha salarial e disputar partidas decisivas com um elenco que está entre os mais caros do futebol brasileiro.

O salto de investimento também trouxe uma expectativa proporcionalmente maior. Já não se trata apenas de reconstruir a equipe depois dos anos mais difíceis da história recente do clube. A partir do momento em que a SAF passa a colocar cifras elevadas na montagem do elenco, o torcedor passa a esperar que esse dinheiro apareça em campanhas mais longas e, principalmente, em taças.

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Em 2026, porém, o Cruzeiro perdeu justamente as duas oportunidades de conquistar um título nacional ou continental. Primeiro, caiu para o Flamengo nas oitavas de final da Libertadores. Depois, foi eliminado pelo Atlético nas quartas de final da Copa do Brasil, após abrir o placar na Arena MRV e sofrer a virada por 2 a 1.

O retorno esportivo ainda está abaixo da aposta

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Isso não significa que o dinheiro colocado por Pedrinho tenha sido perdido. O Cruzeiro conseguiu aumentar sua capacidade de competir e chegou a apresentar uma arrancada importante no Campeonato Brasileiro.

O problema é que o investimento elevou também o parâmetro utilizado para avaliar a gestão. Um time que custa pouco pode ser considerado um sucesso apenas por escapar da parte de baixo da tabela. Um elenco milionário, por outro lado, precisa ser comparado com os rivais que também gastam muito e com os objetivos anunciados pela própria diretoria.

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O Cruzeiro terminou eliminado das duas copas e agora tem somente o Campeonato Brasileiro pela frente. A equipe ocupa a sexta posição, com 39 pontos, e busca uma vaga na Libertadores de 2027.

Isso cria uma situação curiosa para Pedrinho: o investimento já mudou o tamanho do clube, mas o resultado esportivo ainda não acompanhou completamente a dimensão da aposta.

Há retorno também fora dos títulos

Uma análise justa precisa considerar que retorno não significa somente troféu.

O Cruzeiro aumentou sua receita operacional, fortaleceu a marca e passou a ter jogadores que podem representar ativos importantes para o futuro. Em 2025, por exemplo, a SAF registrou receita operacional líquida de R$ 599,2 milhões, contra R$ 282,7 milhões no ano anterior.

Ao mesmo tempo, a empresa fechou aquele exercício com prejuízo líquido de R$ 114,9 milhões e recebeu um aporte de R$ 269 milhões de Pedrinho. Isso mostra que crescimento e retorno financeiro ainda não caminham necessariamente juntos.

Na prática, Pedrinho está financiando uma transformação que pode aumentar o valor do Cruzeiro no futuro. Mas, enquanto isso, o futebol continua sendo cobrado para entregar resultados capazes de justificar esse processo.

A cobrança mostra que a margem de tolerância diminuiu

Foto: Lucas Bubols/Cruzeiro

A reunião realizada por Pedrinho BH com jogadores, diretoria e comissão técnica na Toca da Raposa II, na quinta-feira (3), expôs justamente essa mudança de expectativa. Segundo a CNN, o empresário cobrou uma reação imediata após entender que o time poderia ter apresentado um desempenho melhor nas eliminações, mas manteve a confiança em Artur Jorge.

A cobrança não representa necessariamente arrependimento pelo dinheiro investido. Pelo contrário: ela mostra que o dono da SAF considera que um elenco construído com tantos recursos precisa entregar mais.

E há uma consequência importante nisso. Como o Cruzeiro não disputa mais Libertadores nem Copa do Brasil, os próximos meses servirão quase exclusivamente para medir se esse grupo tem condições de transformar o investimento em uma classificação para a próxima Libertadores.

O próximo teste será contra o Athletico-PR, no Mineirão, em Belo Horizonte. A equipe precisa reagir rapidamente porque o calendário ficou mais curto e, ao mesmo tempo, cada rodada passou a ter peso maior na tentativa de salvar a temporada.

O verdadeiro retorno será medido daqui para frente

Pedrinho BH já colocou o Cruzeiro em uma realidade financeira muito maior do que aquela encontrada quando comprou a SAF. Isso é um resultado concreto do projeto, assim como o aumento das receitas e a formação de um elenco capaz de enfrentar grandes adversários.

O retorno esportivo, porém, ainda está incompleto.

A equipe chegou às fases decisivas das duas principais copas que disputou, mas não conseguiu transformar o investimento em classificação. Agora, sem os mata-matas, restará o Brasileirão como principal oportunidade para mostrar que o dinheiro aplicado pelo empresário produziu uma equipe competitiva no nível esperado.

Por isso, a cobrança de Pedrinho não deve ser lida apenas como uma reação às duas eliminações. Ela representa uma mudança de fase no projeto.

O empresário já gastou para transformar o Cruzeiro. Agora, começa a cobrar que o time prove em campo que a transformação valeu o preço.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.