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Salário de Lucas Romero no Cruzeiro condiz com o seu valor no mercado?

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R$ 400 mil por mês. Esse é o salário de Lucas Romero no Cruzeiro, um número que, à primeira vista, pode parecer alto para um volante de 32 anos com contrato até dezembro de 2027. Mas a pergunta que a pauta levanta é outra: esse valor condiz com o que ele entrega em campo e com o que o mercado enxerga nele?

O Transfermarkt avalia Romero em £2,5 milhões. Convertendo para reais no câmbio atual, isso representa um valor próximo a R$ 18 milhões. Usando a referência clássica do mercado europeu, onde um salário mensal razoável para um jogador equivale a cerca de 10% do seu valor de mercado anual, chegamos a uma estimativa de R$ 150 mil mensais como patamar de equilíbrio. O salário de Romero é quase o dobro disso.

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Mas essa matemática simplifica demais o problema.

A avaliação do Transfermarkt leva em conta critérios como idade, contrato restante, performance recente e apelo de mercado internacional. Romero tem 32 anos e nunca foi convocado pela seleção argentina. Esses dois fatores pesam negativamente na plataforma. O que o cálculo não captura é o valor contextual que ele representa para o Cruzeiro especificamente, e é aí que o debate fica mais interessante.

O que os números em campo dizem

Romero é o estrangeiro com mais jogos na história do Cruzeiro, com mais de 280 partidas somando as duas passagens. Em 2025, disputou 46 jogos e terminou a temporada com sete participações em gols, além de figurar entre os 30 jogadores com mais desarmes totais no Brasileirão. Em 2026, em 20 partidas, igualou esses números com mais eficiência: dois gols e cinco assistências. É o melhor rendimento ofensivo da carreira dele em termos de ritmo de participações.

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Como volante de contenção, gol e assistência não são os principais critérios de avaliação. O que importa é leitura de jogo, posicionamento, proteção da linha defensiva e capacidade de conectar setores. Romero faz isso com consistência há dois anos e meio nesta segunda passagem. Com Leonardo Jardim, foi titular em praticamente todos os jogos quando disponível. Com a chegada de Tite ao comando técnico, a expectativa é de continuidade na função.

O lugar dele na folha salarial do Cruzeiro

Foto: Gustavo Aleixo – Cruzeiro

O que o salário de R$ 400 mil representa dentro do Cruzeiro é também parte da análise. Não é um valor modesto para o futebol brasileiro em geral, mas está bem abaixo da hierarquia salarial da Raposa. Gabigol recebe cerca de R$ 2,5 milhões mensais. Matheus Pereira, hoje o maior salário do elenco, tem vencimentos superiores. Nesse contexto, Romero é um titular absoluto que custa menos de um quinto do que os nomes de mais exposição comercial.

Quando renovou contrato em junho de 2025, o jogador recusou propostas do México e da MLS. Ambas as ofertas vinham de mercados onde o futebol paga bem e o nível de exigência física e tática é menor do que no Brasileirão. A escolha foi ficar no Cruzeiro, aceitando inclusive um salário inferior ao que recebia no León quando retornou ao clube em 2024. Isso sugere que o vínculo tem dimensão afetiva além da financeira, mas não anula o fato de que o clube se saiu bem na negociação.

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Transfermarkt não mede tudo

Há uma assimetria interessante nessa história. O Transfermarkt precifica Romero como um ativo de mercado internacional, olhando para transferibilidade e potencial de revenda. Mas para o Cruzeiro, ele não é um ativo de revenda. É uma peça de ciclo longo, com identidade construída junto à torcida, função tática definida e liderança reconhecida dentro do vestiário. Esses elementos não entram na fórmula da plataforma.

Ao mesmo tempo, R$ 400 mil por mês para um jogador de 32 anos em um futebol que cobra resultado não é um valor sem risco. Se o rendimento cair ou se lesões começarem a aparecer com mais frequência, a equação muda. O futebol brasileiro tem vários casos de contratos que pareciam razoáveis em 2025 e viraram problema em 2026. A gestão do Cruzeiro apostou que Romero não seria um desses casos, e por enquanto está certa.

O salário de R$ 400 mil está acima do que o Transfermarkt justificaria isoladamente, mas abaixo do que o rendimento real, a função no time e o histórico com o clube sustentam. O valor de mercado é uma fotografia. O contrato reflete uma leitura de película. E, por enquanto, o filme está indo bem para os dois lados.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Tem experiência em jornalismo esportivo e de cidades e economia e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.