A vitória por 1 a 0 sobre o Boca Juniors não exigiu do Cruzeiro apenas superioridade tática, mas um controle mental absoluto e sacrifício físico. Na saída do gramado do Mineirão, as declarações dos pilares da equipe de Artur Jorge escancararam os bastidores de uma noite tipicamente copeira, marcada pela paciência diante da cera argentina e pelo desgaste asfixiante do calendário.
O primeiro tempo teve apenas 20 minutos de jogo, por erros da arbitragem:
A frieza de Gerson contra a “catimba” xeneize
O volante Gerson, um dos ativos mais caros e influentes do elenco celeste, foi cirúrgico ao analisar o comportamento da Raposa após a expulsão de Adam Bareiro nos acréscimos do primeiro tempo. Para o camisa 8, a chave dos três pontos esteve na recusa do time em entrar no jogo psicológico dos argentinos.
A leitura do meio-campista confirmou a orientação do vestiário: não confundir superioridade numérica com pressa.
“A gente sabe que todos os jogos são difíceis, a gente já sabe como é a Libertadores. Eles tentaram catimbar o jogo deles, mas é a estratégia deles. Ficamos com um a mais, não nos afobamos, tentando fazer nosso jogo como tem de ser jogado”, declarou Gerson, traduzindo a maturidade tática exigida por Artur Jorge.
O alerta vermelho: O sacrifício físico de Kaio Jorge
Se o meio-campo entregou controle, o ataque entregou transpiração até o limite do corpo. Fundamental na jogada do gol, ao fazer o pivô perfeito para Neyser Villarreal, o atacante Kaio Jorge ligou o sinal de alerta no departamento médico do clube.
O jogador abriu o jogo sobre a carga física e admitiu que está atuando no sacrifício, levantando uma preocupação real às vésperas do clássico contra o Atlético-MG.
“Tô me recuperando, pra falar a verdade, sinto um incômodo forte, preciso de tempo. E como eu jogo 2 ou 3 jogos por semana, acaba sobrecarregando, mas vou tentar ajustar com o departamento médico”, revelou o atacante.
O Maestro: Matheus Pereira exaltado nos bastidores
Além do autor do gol e da solidez de Gerson, o nome que dominou as análises e os elogios internos foi o de Matheus Pereira. O camisa 10 provou, mais uma vez, por que é o cérebro tático desta engrenagem bilionária do Cruzeiro.
Foi dos pés dele que nasceu a ruptura da muralha argentina. Em um jogo sem espaços e congestionado pelo ferrolho do Boca, o passe em profundidade de Matheus Pereira para Kaio Jorge foi o atalho que a equipe precisava. A atuação de gala reafirma a tese de que, em noites de Libertadores onde a imposição física tenta sufocar o futebol, é a genialidade técnica de jogadores desse quilate que destrava o placar.
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