A demissão de Dorival Júnior abriu uma nova disputa no Corinthians, mas não apenas pela vaga no banco. Ela também recolocou Memphis Depay no centro de uma discussão de custo, modelo de jogo e prioridade esportiva. O clube decidiu trocar o comando depois de nove jogos sem vencer, e o próprio Marcelo Paz admitiu que o trabalho “bateu no teto”.
Agora, sem um favorito claro, o Corinthians inicia a busca por um treinador em um contexto em que o camisa 10 custa caro demais para ser apenas um nome de prestígio.
O peso financeiro que está em jogo
O “pacote Memphis” gira em torno de R$ 7 milhões por mês entre salários, luvas, bonificações e impostos. Além disso, o diretor financeiro Emerson Piovesan confirmou uma dívida de R$ 42 milhões com o atacante por pendências contratuais e bônus — e admitiu que não repetiria esse modelo de contrato.
O vínculo atual vai só até 20 de junho de 2026, e a própria diretoria já trata uma renovação nos moldes atuais como inviável. Em um Corinthians que trabalha sob austeridade e carrega dívida total de cerca de R$ 2,8 bilhões, esse tamanho de investimento passa a ser avaliado junto com a ideia de jogo do próximo treinador.
Por que o novo técnico pode mexer no lugar de Memphis
A ameaça a Memphis não é perder espaço do dia para a noite, mas perder centralidade no projeto. O Corinthians já sabe que não fará novas movimentações até julho — o que significa que o próximo técnico terá de trabalhar com o elenco atual no curto prazo. Mas, como o contrato do holandês termina em 20 de junho, a escolha do novo comandante pode ser decisiva para definir se vale insistir em sua permanência ou redistribuir esse peso financeiro em outra direção.
Tite e Diniz representam ameaças diferentes a Memphis

Os dois nomes mais fortes até aqui são Tite e Fernando Diniz, citados pelo ge como opções no mercado para o Corinthians. Cada um pressiona Memphis de um jeito diferente.
Com Tite, a ameaça é mais funcional. O histórico tático do treinador aponta para times de compactação, intensidade e muito compromisso coletivo. Em 2024, no Flamengo, ele mostrou preferência por escolher “um ou outro” como referência ofensiva, protegendo a estrutura. Se chegar ao Corinthians, Memphis teria de se encaixar em um coletivo mais rígido e perder parte da liberdade que costuma pedir.
Com Diniz, o cenário é outro. Seu jogo privilegia aproximações, trocas de posição e liberdade nos setores da bola — algo que em tese conversa mais com um jogador técnico e associativo como Depay. Ao mesmo tempo, Diniz costuma exigir engajamento total dos homens de frente na engrenagem coletiva. O talento do holandês poderia ser melhor aproveitado, mas o custo de comprometimento tático seria igualmente alto.
Como está o processo hoje
No retrato atual, o Corinthians está sem favorito declarado e ainda em fase de avaliação — mas corre contra o tempo. O clube estreia na Libertadores na quinta-feira, 9 de abril, às 21h, contra o Platense, em Vicente López, pelo Grupo E, que também tem Peñarol e Santa Fe, com transmissão do Disney+ Premium.
É justamente por isso que o caso Memphis ficou mais sensível. O treinador que chegar não decidirá apenas uma escalação: pode definir se o Corinthians vai continuar montando o time em torno de um craque caríssimo ou se começará a imaginar um ataque mais compatível com sua realidade financeira.