A ida de Memphis Depay para a Holanda criou um ruído enorme no Corinthians. Afinal, o torcedor olha de fora e pensa o óbvio: se o clube tem departamento médico, por que o principal atacante foi se tratar a milhares de quilômetros de São Paulo? A resposta passa menos por desconfiança explícita e mais por um arranjo entre jogador, seleção e calendário.
Segundo apuração do ge, Memphis optou por viajar para iniciar a recuperação com o departamento médico da seleção holandesa. Ao mesmo tempo, o executivo Marcelo Paz afirmou que a seleção tem a prerrogativa de chamar o atleta para avaliação e tratamento, sem que o Corinthians possa vetar essa ida. Ou seja: houve escolha do jogador, mas dentro de um cenário em que a Holanda também tinha poder para puxar o processo para lá.
A viagem não significa, por si só, que o departamento médico do Corinthians “não é suficiente”. Significa que Memphis preferiu se recuperar perto da estrutura da seleção de seu país, num momento em que a Copa do Mundo já entra no horizonte do atleta.
O que ele tem, afinal?
Memphis sofreu uma lesão muscular grau 2 na coxa direita depois de sentir o problema ainda no primeiro tempo contra o Flamengo. O diagnóstico foi confirmado após exames, e a previsão interna do Corinthians ficou em cerca de quatro semanas de recuperação.
Esse é o ponto mais importante do prazo. A previsão é relativamente curta, mas não totalmente fechada. Lesão muscular não costuma obedecer calendário rígido. Então, quando Memphis posta que estará “de volta em breve”, isso funciona mais como sinal de confiança do que como data exata de retorno.
A viagem pode virar adeus?
Não há expectativa de que Memphis tenha decidido sair do Corinthians por causa desse episódio. Também não há prova robusta de rompimento formal com o departamento médico do clube. O que existe é um ambiente mais sensível, em meio a uma temporada com aumento de lesões musculares no elenco e a uma negociação contratual que já era difícil antes mesmo do problema físico.
A renovação, de fato, está longe de ser simples. O atual contrato vai até 20 de junho de 2026, e a própria direção admite que uma extensão exigiria um “contrato novo”, com redução importante de valores. A ESPN informou que o pacote de Memphis custa perto de R$ 7 milhões por mês ao Corinthians e que a dívida do clube com o jogador gira em torno de R$ 40 milhões.
Por isso, a viagem para a Holanda acende o debate, mas não fecha o roteiro.
Então qual é o cenário mais honesto no Corinthians?
O cenário mais honesto é este: Memphis foi para a Holanda por escolha própria e também porque a seleção tinha espaço institucional para conduzir parte do tratamento. Ele tem uma lesão grau 2, deve ficar fora por aproximadamente quatro semanas e, neste momento, não existe evidência forte de que a viagem represente um adeus definitivo ao Corinthians.
O que existe, sim, é uma incerteza inevitável. Se a recuperação andar bem, ele volta em abril. Se houver dor residual ou atraso na resposta muscular, o prazo escapa um pouco. E, como o contrato já é tema delicado, qualquer atraso aumenta o barulho em volta do nome dele.