O Corinthians iniciou 2026 com um choque de realidade pública. Após a derrota para o Bahia, o técnico Dorival Júnior foi aos microfones e expôs a fragilidade do planejamento atual: para suportar o calendário de cinco competições, o clube precisa de “cinco ou seis” reforços imediatos.
Mas o pedido veio acompanhado de um freio financeiro brusco. Ao admitir que o Timão sondou nomes de peso como Gerson e Malcom, o treinador reconheceu a limitação do caixa alvinegro: “Nossa prateleira não é esta. Neste momento, não é esta.”
O Símbolo da Crise no Corinthians: O “Não” por Alisson
A prova de que a “prateleira” mudou não está nos nomes que o Corinthians sonhou, mas no que ele perdeu. O clube tinha um acordo encaminhado com o São Paulo pelo empréstimo do volante Alisson, um pedido direto de Dorival.
A negociação travou — e colapsou — por R$ 1,5 milhão. O pacote exigia R$ 1 milhão à vista e R$ 500 mil no segundo semestre. O Corinthians recuou, deixando claro ao mercado que não dispõe de liquidez para entradas imediatas, mesmo em valores considerados “baixos” para o padrão da Série A.
A Conta que Assusta: R$ 2,8 Bilhões
O freio de mão puxado tem explicação contábil. Pela primeira vez, a dívida bruta do clube (somando o financiamento da Neo Química Arena) tocou a barreira de R$ 2,8 bilhões.
- O Orçamento de Guerra: Para 2026, a ordem é cortar na carne. A previsão de gastos com o futebol caiu de R$ 435 milhões (2025) para R$ 354 milhões.
- O Impacto: Isso significa tirar cerca de R$ 6,2 milhões por mês da folha salarial. Por isso, a estratégia de mercado virou “criatividade”: focar em empréstimos (como Matheus Pereira), atletas livres (como Gabriel Paulista) ou apostas de baixo custo (como Pedro Milans).
O Que Dorival Quer vs. O Que Pode Ter
Dorival foi taxativo: “Não posso rodar um elenco porque não tenho jogadores que complementem em um mesmo nível”. Com a saída de veteranos como Fagner (agora no Cruzeiro) e a perda de peças de reposição, o elenco ficou curto.
O treinador pede laterais, zaga e meio-campo para não “estourar” o time físico em sequências de quarta e domingo. A diretoria promete buscar, mas o perfil já está desenhado: nada de leilão, nada de compra de direitos econômicos à vista. O Corinthians de 2026 vai jogar com o regulamento do orçamento debaixo do braço.