O Atlético já trata Ruan Tressoldi como mais do que uma solução de temporada. Emprestado pelo Sassuolo até 30 de junho, o zagueiro convenceu a diretoria e a comissão técnica, e o clube já sinalizou que pretende exercer o direito de compra no meio do ano. A leitura interna é de que ele se adaptou rápido, ganhou peso no elenco e virou o principal nome do setor com Eduardo Domínguez.
Essa mudança de status chama atenção porque o início foi cercado de desconfiança. Ruan chegou ainda em recuperação de uma artroscopia no joelho direito, demorou quase dois meses para estrear e ouviu dúvidas da torcida. Hoje, o cenário é outro: em 2026, ele foi titular em 94,12% dos jogos do time principal, disputou 16 partidas e marcou dois gols.
Ruan Tressoldi no Atlético: quanto custa a compra
O valor para ficar com o defensor já está desenhado em contrato. A opção de compra foi fixada em cerca de 3,5 milhões de euros, algo em torno de R$ 20 milhões, com possibilidade de parcelamento em até três anos. É um investimento relevante, mas considerado administrável pela SAF justamente porque o clube entende que já reduziu bastante o risco esportivo da operação.
No salário, o Atlético não divulgou publicamente os números. Nos bastidores, porém, a apuração do Moon BH mostra uma faixa perto de R$ 800 mil por mês. É um custo alto para um zagueiro, o que ajuda a explicar por que o Galo preferiu primeiro testá-lo por empréstimo antes de bater o martelo na compra definitiva.
Como ele joga e por que virou peça-chave

Taticamente, Ruan encaixou porque oferece exatamente o tipo de zagueiro que Domínguez procura para sustentar um time mais agressivo e móvel. Ele é forte no um contra um, protege bem a área, tem imposição física e consegue atuar dos dois lados da zaga. Também pode funcionar como zagueiro central em uma linha de três, o que amplia o leque do treinador em jogos que exigem mudança de sistema.
O ponto menos brilhante está na saída de bola. Ruan não é o defensor mais refinado na construção curta, mas compensa isso com firmeza defensiva e leitura de duelo. Num Atlético que alterna linha de quatro e linha de cinco, esse perfil virou valioso porque dá segurança para o time defender mais alto e sustentar transições sem tanta exposição nas costas.
A importância dele também aparece no uso prático. Quando esteve disponível, Domínguez praticamente sempre recorreu a Ruan nas formações-base. Em momentos de mudança tática, como nos jogos em que Alonso foi deslocado ou quando o time precisou de trio defensivo, o camisa 4 seguiu como peça de sustentação. Em outras palavras, o Atlético não pensa em comprá-lo apenas porque “foi bem”, mas porque ele já virou parte do esqueleto tático do time.
O próximo jogo do Atlético será contra a Chapecoense, nesta quinta-feira, 2 de abril, às 19h, na Arena Condá, pela 9ª rodada do Brasileirão, com transmissão do Premiere. O duelo ganha peso extra para Ruan porque o Galo ainda busca seus primeiros pontos fora de casa na competição, e é justamente em jogos assim, mais físicos e de pressão, que o zagueiro vem reforçando a sensação interna de que comprar agora pode sair mais barato do que procurar outro nome depois.