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Hulk salvou o Atlético-MG (de novo). Mas até quando o time vai viver de milagres?

O torcedor atleticano foi dormir aliviado no domingo. A virada por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, na Arena MRV, lavou a alma e trouxe a primeira vitória do ano. Mas, na segunda-feira, a análise fria precisa prevalecer sobre a euforia: o Atlético-MG segue refém de um milagreiro.

Ao decidir o clássico com um golaço individual, Hulk (39 anos) reafirmou sua genialidade, mas escancarou uma fragilidade estrutural do Galo. Em 2026, o camisa 7 ainda é o Plano A, o Plano B e o Plano de Emergência. E isso, num futebol de alta intensidade, é um risco que beira a irresponsabilidade estratégica.

O Problema Não é o Hulk, é a Falta de Opção

Hulk envelhece como vinho. Foi artilheiro em 2025 (21 gols) e segue decisivo. O problema é o que isso diz sobre o resto do elenco. Quando o jogo aperta, o sistema coletivo de Sampaoli (ou do técnico vigente) falha e a bola procura o super-herói.

  • A Biologia Cobra: Por mais que Hulk seja um fenômeno físico, a recuperação aos 39 anos é mais lenta. Depender dele para decidir todos os jogos grandes é flertar com lesões e quedas de rendimento nos momentos cruciais.
  • O Relógio do Contrato: O vínculo vai até o fim de 2026. A transição de liderança técnica não pode começar em 2027; ela tem que acontecer agora, enquanto ele ainda está em campo para passar o bastão.

Quem Será o “Novo Decisor”? (Porque “Novo Hulk” Não Existe)

Foto: Pedro Souza/ Atlético

O Atlético precisa distribuir a responsabilidade. O golaço de domingo deveria ser a cereja do bolo, não o único prato do cardápio.

1. Mateo Cassierra: O Homem-Gol

A contratação do colombiano Mateo Cassierra (contrato até 2029) foi o movimento certo da diretoria. Ele precisa assumir o volume de gols “feios” — aqueles de centroavante, de empurrar para a rede — para tirar o peso de Hulk. Se Cassierra fizer 20 gols no ano, Hulk pode se dar ao luxo de ser apenas o craque dos momentos mágicos, e não o carregador de piano.

2. Bernard: A Válvula de Escape

O gol de empate no clássico mostrou o caminho. Bernard não será o artilheiro, mas precisa ser o líder técnico que chama a responsabilidade na construção. Ele tem que ser o “gatilho” para que a bola chegue redonda, evitando que Hulk tenha que recuar até o meio-campo para buscar jogo (o que desgasta o ídolo).

3. O “Comitê de Gols”

Um time que quer ser campeão não pode ter um abismo entre o artilheiro e o vice. O Galo precisa que laterais e meias (como Scarpa e os reforços) contribuam com 5, 8, 10 gols na temporada. A “bola parada” sem Hulk também precisa ser letal.

Esportes Redação
Esportes Redação
Jornalista esportivos que trabalham há mais de 15 anos na cobertura diária dos principais clubes brasileiros, com foco em Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Botafogo.