Porlsrael Torres de Pexels
Nos últimos anos, temos testemunhado uma mudança inesperada no cenário político e social: um aumento significativo do conservadorismo entre os jovens. Enquanto o mundo, em geral, caminha para um viés mais liberal, muitos jovens – principalmente os homens – estão adotando valores mais tradicionais. O que explica esse fenômeno?
Uma pesquisa global da agência Glocalities, realizada em 20 países e com mais de 300 mil participantes, revelou que a juventude atual está cada vez mais desiludida com a política tradicional. O pessimismo sobre o futuro, a falta de perspectivas financeiras e o sentimento de insegurança estão empurrando parte dessa geração para valores mais conservadores.
Na Europa, por exemplo, partidos de direita radical, como o Vox na Espanha e o AfD na Alemanha, têm ganhado força entre os eleitores mais jovens. Nos Estados Unidos, 34% dos homens de 18 a 24 anos se identificaram como conservadores em 2023, um aumento significativo em relação a 2014, segundo o Pew Research. No Brasil, um levantamento da AtlasIntel revelou que 52% dos jovens de 16 a 24 anos apoiam políticas mais rígidas em segurança e economia.
A Geração Z cresceu em meio a uma sucessão de crises globais: recessão econômica, pandemia de COVID-19, instabilidade política e mudanças climáticas. Esses fatores alimentam um desejo por estabilidade, algo que o conservadorismo tradicionalmente promete oferecer. Em tempos de incerteza, a tendência natural é buscar valores que tragam sensação de segurança e ordem.
As mídias sociais desempenham um papel fundamental na difusão dessas ideias. Segundo a Glocalities, os algoritmos das plataformas digitais amplificam conteúdos polarizados porque são mais assertivos, emocionais e polêmicos – e, por isso, geram mais engajamento. Além disso, a internet tem criado espaços onde jovens moderadamente conservadores são atraídos para visões mais rígidas e tradicionais.
Enquanto as mulheres da Geração Z se tornam mais progressistas, os homens jovens seguem na direção oposta. Estudos apontam que muitos deles reagem ao feminismo e a mudanças sociais que desafiam antigas dinâmicas de gênero. Há um crescente interesse por figuras públicas que defendem modelos mais rígidos de masculinidade, como Andrew Tate, que ganhou milhões de seguidores promovendo uma visão tradicional e anti-progressista da identidade masculina.
Além da política, esse movimento conservador se reflete na cultura e no estilo de vida. O interesse por espiritualidade tradicional, casamento precoce e papéis de gênero mais definidos tem crescido entre os jovens. O fenômeno “tradwife” (esposas tradicionais), por exemplo, tem ganhado força nas redes sociais, promovendo a dedicação exclusiva ao lar e à família.
Apesar dessa guinada conservadora em alguns aspectos, a Geração Z mantém posições progressistas em outras áreas. Pesquisas indicam que 78% dos jovens apoiam políticas ambientais, e 65% são favoráveis aos direitos LGBTQ+, segundo levantamentos da Pew Research e Gallup.
O que vemos, portanto, não é uma geração completamente conservadora ou progressista, mas sim um grupo que busca equilíbrio entre tradição e inovação. Diante de um mundo em crise, essa juventude parece estar tentando conciliar liberdade com segurança, em uma nova configuração ideológica que desafia rótulos tradicionais.
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