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A empresa de BH que nasceu de um PDF e atraiu uma investidora da Netflix

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A dificuldade de vender um guia em PDF pela internet esteve na origem da Hotmart, empresa criada em Belo Horizonte que conquistaria investidores internacionais. João Pedro Resende precisava reunir hospedagem, pagamento e entrega automática do arquivo, um problema que ajudou a transformar em negócio ao lado de Mateus Bicalho.

Anos depois, em março de 2021, a companhia anunciou uma rodada de US$ 130 milhões liderada pela TCV, investidora de empresas como Netflix, Spotify e Airbnb. O aporte, equivalente a R$ 735 milhões na época, apoiaria o desenvolvimento de produtos e a expansão internacional da plataforma mineira.

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O PDF surgiu depois de uma experiência empresarial frustrada

Em entrevista ao Projeto Draft publicada em 2017, João contou que havia criado a Mobworks, voltada a soluções para celulares, antes da Hotmart. O negócio fechou, e a experiência expôs dificuldades comerciais que o levaram a estudar marketing.

Enquanto trabalhava em empresas de tecnologia, ele também cuidava da divulgação de uma comunidade de jogadores. Os pedidos de orientação sobre marketing digital motivaram a criação do guia, mas cobrar pelo conteúdo exigia uma estrutura que ainda precisava organizar.

João e Mateus retomaram a ideia em 2010 e lançaram uma primeira versão com pagamentos e downloads. Segundo o relato, faltava até a ferramenta de saque dos vendedores, que seria desenvolvida caso aparecessem clientes. A empresa, por sua vez, adota 2011 como ano de fundação em sua apresentação institucional.

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A decisão de deixar o emprego veio com faturamento de R$ 182

O começo esteve distante dos valores que mais tarde apareceriam nas rodadas de investimento. Em entrevista ao TecMundo, em 2017, João afirmou que a Hotmart havia faturado R$ 182 no mês em que pediu demissão para se dedicar ao negócio.

“No mês em que pedi demissão para focar no negócio, a Hotmart faturou R$ 182 reais”, declarou. O relato ajuda a dimensionar o estágio inicial da operação, quando a decisão de empreender se apoiava na expectativa de crescimento de uma plataforma ainda pequena.

Como a solução passou a atender outros criadores

O modelo desenvolvido pela Hotmart ampliou o público daquela solução inicial. Em sua descrição institucional, a empresa apresenta ferramentas para quem cria e vende conteúdos digitais, além de uma estrutura que conecta produtores, compradores, afiliados e profissionais que prestam serviços nesse mercado.

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Os afiliados participam da divulgação dos produtos e recebem comissões pelas vendas realizadas. Já os criadores utilizam a plataforma para organizar seus negócios digitais, reunindo etapas que, na experiência original de João, precisavam ser resolvidas separadamente.

A ligação com a capital mineira também aparece no Hotmart FIRE, evento acompanhado pelo Moon BH. A programação de 2026 foi anunciada para o Expominas, reunindo criadores de conteúdo, empreendedores e profissionais do mercado digital.

A relação com a Netflix passa pela TCV

O anúncio da rodada de investimento de 2021 identifica a TCV como líder da operação e a Alkeon Capital como participante. A referência à Netflix está no histórico da investidora, que já havia apoiado a plataforma de streaming e outras empresas de tecnologia.

Portanto, o aporte não foi realizado pela Netflix. A conexão entre as companhias está na presença da TCV entre seus investidores, distinção importante para compreender quem financiou a expansão da Hotmart.

Naquele comunicado, a empresa também informou que já havia alcançado o status de unicórnio, embora não divulgasse sua avaliação na transação. A expansão incluía a aquisição da americana Teachable, concluída em 2020, que ampliou sua atuação no mercado de cursos online.

Vendas digitais ultrapassaram US$ 10 bilhões

Na apresentação institucional disponível em sua sala de imprensa, a Hotmart informa vendas registradas em mais de 188 países e um volume superior a US$ 10 bilhões em conteúdos digitais. Esse montante representa as vendas realizadas pelo ecossistema, e não o faturamento próprio da companhia.

A empresa também informa escritórios em seis países, incluindo o Brasil e sua sede nos Países Baixos. A estrutura internacional atende a um mercado de criadores que precisam comercializar conhecimento para compradores de diferentes localidades, ampliando a escala do problema que motivou o primeiro projeto em BH.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.