Durante três dias, os pavilhões do Expominas, em Belo Horizonte, se transformarão no centro do varejo alimentar e logístico do país. A Superminas 2026, que ocorre de 27 a 29 de outubro, reunirá cerca de 600 fornecedores de alimentos, bebidas, maquinário pesado, tecnologia e serviços para receber um público altamente qualificado de compradores profissionais.
A Associação Mineira de Supermercados (AMIS) projetou uma cifra imponente para o evento: a feira deverá movimentar R$ 3,3 bilhões em negócios. A expectativa representa um salto cravado de 10% em relação aos R$ 3 bilhões atribuídos à edição anterior.
O número, em escala, impressiona. Se fosse um exercício matemático linear de divisão, significaria que cada um dos 600 expositores sairia do pavilhão com uma média teórica de R$ 5,5 milhões na bagagem. No entanto, o gigantismo do anúncio comercial esconde um “buraco negro” de transparência metodológica.
A estimativa atual da AMIS não surgiu do nada; ela sustenta um padrão histórico de divulgação de crescimentos superlativos. O monitoramento das últimas edições revela a seguinte evolução dos valores divulgados:
- 2023: R$ 2,5 bilhões
- 2024: R$ 2,75 bilhões
- 2025: R$ 3 bilhões
- 2026: R$ 3,3 bilhões (Projeção)
Em três anos, o volume de negócios divulgado oficialmente acumulou um crescimento de 32%.
O “termômetro” dos pedidos reais
A ação promocional “Acelere Seu Negócio” fornece um cupom para o sorteio de prêmios ao comprador a cada R$ 5 mil em compras realizadas com expositores.
Para retirar o cupom, a empresa vendedora precisa fornecer ao supermercadista comprador uma “Ordem de Compra” preenchida com o valor da negociação. Esse sistema de preenchimento é um comprovante documental de negócios firmados “no chão da feira”.
Por que as feiras supermercadistas, não só a Superminas, geram cifras tão altas? A explicação reside na capilaridade (escala) do negócio B2B (empresas vendendo para empresas).
Se uma grande indústria alimentícia de São Paulo, presente na Superminas, fecha um acordo com os compradores da rede Supermercados BH, do EPA ou do Super Nosso, por exemplo, não estamos falando de pacotes de arroz soltos no balcão, mas sim do abastecimento de toda uma cadeia logística que será diluído por dezenas ou centenas de lojas espalhadas por Minas Gerais nos meses seguintes. Um aperto de mãos pode representar um negócio recorrente que engordará significativamente a conta comercial que a feira se propõe a “girar”.


