HomeCapital M - Negócios e EconomiaO mineiro que sofreu para alugar um imóvel e criou o QuintoAndar

O mineiro que sofreu para alugar um imóvel e criou o QuintoAndar

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A dificuldade de encontrar um apartamento em São Paulo ajudou Gabriel Braga, nascido em Belo Horizonte, a identificar uma oportunidade de negócio. Anúncios incompletos, visitas frustradas e a necessidade de conseguir um fiador fizeram parte da experiência que, anos depois, inspiraria a criação do QuintoAndar, ao lado de André Penha.

Fundada em 2013, a empresa alcançou uma avaliação de US$ 5,1 bilhões em uma rodada de investimentos de 2021. No mesmo ano, incorporou a Casa Mineira, aproximando a trajetória do empreendedor do mercado imobiliário de sua cidade natal.

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A procura por um apartamento revelou o problema

Em 2006, aos 24 anos, Braga se mudou para São Paulo depois de concluir Administração na Universidade Federal de Minas Gerais. A procura por moradia começou pela internet, mas os anúncios frequentemente deixavam de informar dados básicos, como o endereço ou o valor do IPTU, e as fotografias nem sempre permitiam avaliar os imóveis.

A falta de informações se transformava em deslocamentos desnecessários. Em entrevista ao podcast CBN Professional, realizado pelo Valor e pela CBN, o empresário resumiu a experiência: “Gastava horas para chegar aos imóveis que marcava e, com cinco segundos de visita, via que não era o que eu queria”.

Encontrar um apartamento adequado não encerrava a busca. Sem um fiador disponível, Braga ainda precisou enfrentar a burocracia de aprovação dos documentos até conseguir assinar o contrato, acumulando uma experiência que levaria para as conversas sobre seu futuro negócio.

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Dois mineiros se encontraram em Stanford

Em 2010, Braga foi para os Estados Unidos cursar um MBA na Universidade Stanford. Lá conheceu André Penha, também mineiro, natural de Divinópolis, com quem começaria a discutir formas de simplificar o aluguel no Brasil.

Penha conhecia a dificuldade pelo lado do proprietário. Seu apartamento em Campinas havia passado meses anunciado em uma imobiliária sem receber visitas, até que ele próprio se empenhou em encontrar um inquilino. A experiência complementava a de Braga: enquanto um enfrentava obstáculos para conseguir moradia, o outro não encontrava quem ocupasse seu imóvel.

Os dois conversaram com amigos e conhecidos para entender se aquelas dificuldades se repetiam. A investigação ajudou a orientar uma proposta que precisava atender às duas partes: facilitar a contratação para o morador e oferecer segurança a quem colocava um patrimônio para alugar.

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Como o QuintoAndar simplificou o aluguel

O QuintoAndar começou em março de 2013, em Campinas, com uma equipe de seis pessoas, incluindo os fundadores. Em julho daquele ano, passou a atuar também na cidade de São Paulo, ainda sem escritório fixo, segundo o histórico divulgado pela companhia.

A plataforma desenvolveu ferramentas para melhorar a apresentação dos imóveis e reduzir etapas presenciais. Fotografias de qualidade, agendamento de visitas pela internet e contratação digital passaram a integrar uma experiência que concentrava atividades antes distribuídas entre telefonemas, deslocamentos e troca de documentos.

Outra mudança estava nas garantias do contrato. O modelo permitia dispensar o fiador e oferecer ao proprietário o recebimento do aluguel mesmo diante de atraso do inquilino, enquanto a aprovação do interessado continuava dependendo da análise de crédito. Essa estrutura enfrentava justamente um dos obstáculos encontrados por Braga em sua mudança.

A rodada que levou a empresa aos bilhões

Em setembro de 2019, uma rodada de US$ 250 milhões liderada pelo SoftBank colocou o QuintoAndar entre os unicórnios brasileiros. A expressão identifica startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão e marcou uma nova etapa de financiamento da expansão da empresa.

Dois anos depois, a companhia anunciou uma captação inicial de US$ 300 milhões, posteriormente ampliada em US$ 120 milhões. Conforme o comunicado sobre a rodada de investimentos de 2021, o total chegou a US$ 420 milhões e a avaliação alcançou US$ 5,1 bilhões — valor atribuído à empresa naquela transação, distinto de faturamento ou lucro.

A expansão passou pela Casa Mineira

A ligação com Belo Horizonte ganhou uma dimensão empresarial em março de 2021, quando o QuintoAndar anunciou a incorporação da Casa Mineira. A imobiliária tinha 38 anos de história e já mantinha uma parceria com a plataforma no segmento de locação.

Segundo o anúncio da incorporação da Casa Mineira, a empresa havia intermediado R$ 1,7 bilhão em vendas em 2020. A operação ampliava a presença do QuintoAndar na compra e venda de imóveis usados, combinando sua tecnologia com a experiência comercial e o atendimento presencial da imobiliária de BH.

Para o negócio criado por Braga e Penha, a aquisição representava uma expansão além do problema que havia motivado os primeiros passos. A empresa nascida das dificuldades de um inquilino e de um proprietário passava a incorporar também a estrutura de uma imobiliária tradicional da capital mineira.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.