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Construir em Minas custa R$ 133 a menos por metro quadrado que a média nacional; veja o impacto

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Construir em Minas Gerais continua mais barato do que na maior parte do Brasil, mas a vantagem do estado está sendo pressionada por um custo que não depende apenas do preço do cimento, do aço ou dos demais materiais utilizados nos canteiros de obras. Segundo os dados de setembro do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), o metro quadrado construído em Minas chegou a R$ 1.866,17, enquanto a média brasileira atingiu R$ 1.999,73. A diferença de R$ 133,56 representa uma economia de aproximadamente 6,7% em relação ao referencial nacional.

O levantamento, produzido pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal, mostra que Minas mantém uma posição relativamente competitiva na construção civil, mesmo diante da inflação acumulada pelo setor nos últimos 12 meses. Essa vantagem ganha importância em um estado que abriga empresas como MRV e Direcional, duas das maiores incorporadoras do país, e possui um mercado imobiliário que combina empreendimentos populares, edifícios residenciais de médio padrão e projetos de maior valor agregado.

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Entretanto, o dado que chama a atenção não é apenas a diferença entre Minas e o restante do Brasil. A composição do custo mineiro revela uma pressão crescente da mão de obra, cujo aumento nos últimos 12 meses foi aproximadamente três vezes maior que o registrado pelos materiais. Para construtoras, incorporadoras e compradores, esse movimento ajuda a explicar por que um mercado relativamente mais barato não está necessariamente protegido de novos reajustes.

Quanto custa construir 100 metros quadrados em Minas?

A diferença de R$ 133,56 por metro quadrado pode parecer pequena quando observada isoladamente, mas ganha outra dimensão conforme aumenta o tamanho do empreendimento. Em uma construção hipotética de 100 metros quadrados, a aplicação direta do indicador mineiro resultaria em R$ 186.617, enquanto o mesmo cálculo com a média nacional chegaria a R$ 199.973. A diferença seria de R$ 13.356 apenas nos custos representados pelo levantamento.

Em um empreendimento de mil metros quadrados, essa distância chegaria a R$ 133.560, demonstrando como diferenças aparentemente modestas no custo unitário podem adquirir relevância financeira em projetos maiores. O cálculo, porém, não deve ser interpretado como um orçamento completo de obra, tampouco como uma previsão do valor necessário para construir uma casa específica em Belo Horizonte ou no interior mineiro.

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O SINAPI é utilizado como referência para orçamentos e acompanhamento dos custos da construção civil. Seus indicadores consideram composições de serviços, materiais e mão de obra, mas não representam o preço final de um imóvel. Despesas com terreno, projetos, licenciamento, administração, financiamento, comercialização e margem de lucro podem alterar significativamente o custo total de um empreendimento.

Isso significa que um metro quadrado de construção mais barato não resulta, automaticamente, em apartamentos vendidos por preços menores. A localização, a infraestrutura disponível e o valor comercial da região continuam exercendo influência sobre o preço cobrado do comprador.

Minas está entre os estados mais baratos para construir no Brasil

Na comparação com os demais estados do Sudeste, Minas Gerais apresenta um custo inferior ao de São Paulo e Rio de Janeiro, mas superior ao do Espírito Santo. Em setembro, o metro quadrado fluminense chegou a R$ 2.177,76, enquanto o paulista ficou em R$ 2.093,45. No Espírito Santo, o indicador foi de R$ 1.805,09, abaixo dos R$ 1.866,17 registrados em Minas.

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EstadoCusto médio por m²
Rio de JaneiroR$ 2.177,76
São PauloR$ 2.093,45
Minas GeraisR$ 1.866,17
Espírito SantoR$ 1.805,09

A média regional do Sudeste ficou em R$ 2.032,87, colocando Minas aproximadamente 8,2% abaixo do custo de referência da própria região. No ranking nacional, o estado aparece na 23ª posição entre as 27 unidades da Federação quando os valores são organizados do maior para o menor, o que o coloca entre os cinco menores custos do país.

A posição mineira, entretanto, não significa que todas as cidades do estado ofereçam condições semelhantes. O preço dos terrenos, a disponibilidade de trabalhadores especializados, as características do projeto e a logística de fornecimento de materiais variam entre municípios e podem alterar a viabilidade econômica de uma construção.

Para o mercado imobiliário, a vantagem estatística de Minas funciona como um indicador das condições gerais do setor, mas não substitui os estudos específicos necessários para decidir onde construir.

Mão de obra já responde por 43% do custo da construção em Minas

A abertura dos dados do SINAPI mostra que, dos R$ 1.866,17 registrados por metro quadrado em Minas Gerais, R$ 1.057,59 correspondem aos materiais de construção e R$ 808,58 à mão de obra. Isso significa que os trabalhadores representam aproximadamente 43,3% do custo de referência, enquanto os materiais respondem pelos outros 56,7%.

A participação da mão de obra se torna ainda mais relevante quando observada a evolução dos preços. Nos últimos 12 meses, os materiais tiveram aumento próximo de 3,7%, enquanto os custos com trabalhadores avançaram aproximadamente 11%. A diferença indica que o encarecimento da construção não está sendo provocado de maneira uniforme pelos componentes utilizados nos empreendimentos.

Para as construtoras, esse movimento cria uma pressão particular sobre o planejamento financeiro. Enquanto parte das despesas com materiais pode ser administrada por meio de negociações com fornecedores, compras em escala e mudanças de especificações, os custos de pessoal envolvem salários, encargos, disponibilidade de profissionais e produtividade das equipes.

O aumento da mão de obra também pode estimular investimentos em processos industrializados, padronização de etapas e tecnologias capazes de reduzir desperdícios ou o tempo necessário para concluir uma obra. Essas alternativas, porém, dependem do perfil dos empreendimentos e não eliminam a necessidade de profissionais qualificados nos canteiros.

Os números ajudam a compreender por que a inflação setorial pode continuar pressionando o mercado mesmo em períodos nos quais determinados materiais apresentam aumentos mais moderados.

O que os números significam para MRV e Direcional?

Direcional e MRV
Fotos: reprodução

A diferença de custos interessa especialmente ao mercado mineiro porque Belo Horizonte abriga as sedes de duas grandes incorporadoras nacionais. A MRV e a Direcional possuem operações em diferentes estados, mas mantêm uma relação histórica com o setor imobiliário de Minas Gerais, onde a disponibilidade de fornecedores, trabalhadores e estruturas empresariais participa das decisões de investimento.

No segundo trimestre de 2026, a MRV registrou margem bruta de 31,2% em sua operação de incorporação imobiliária no Brasil, o maior patamar dos últimos sete anos. Desconsiderando os juros capitalizados, a margem chegou a 34,7%, resultado associado pela companhia à recuperação de preços, ao controle de custos e a ganhos de produtividade.

A Direcional também apresentou margens elevadas no período, com margem bruta ajustada de 42,8% e indicador de 43,9% sobre a receita futura das unidades comercializadas. Os resultados mostram a importância da eficiência operacional em um setor no qual pequenas variações de custo podem produzir efeitos relevantes sobre a rentabilidade.

Seria incorreto, entretanto, atribuir essas margens ao fato de Minas possuir um custo médio inferior ao nacional. As duas empresas desenvolvem empreendimentos em diferentes regiões do país, e seus resultados consolidados refletem uma combinação de mercados, produtos, preços de venda e estratégias financeiras.

Além disso, a margem de uma incorporadora depende de fatores que não aparecem diretamente no SINAPI, como a aquisição de terrenos, o custo do financiamento, o ritmo das vendas e a estrutura de cada empreendimento. O indicador mineiro mais baixo pode representar uma condição favorável em projetos locais, mas não explica sozinho o desempenho financeiro dessas companhias.

Construção mais barata significa imóvel mais acessível?

Para quem pretende comprar um apartamento ou construir uma casa, a principal dúvida é se a diferença de custos pode se transformar em preços menores. A resposta depende de como as despesas da obra se combinam com os demais componentes do mercado imobiliário.

Em um empreendimento residencial, o preço de venda precisa considerar não apenas os materiais e os trabalhadores envolvidos na construção, mas também o terreno, os tributos, os projetos, as despesas financeiras e a remuneração esperada pelo incorporador. Em bairros com terrenos valorizados ou forte procura por imóveis, esses fatores podem representar uma parcela expressiva do valor final.

O financiamento também interfere nessa equação. Mesmo que uma construtora consiga executar uma obra com custos relativamente menores, taxas de juros elevadas podem aumentar suas despesas financeiras e dificultar o acesso dos compradores ao crédito habitacional.

O levantamento oficial do SINAPI, divulgado pelo IBGE, serve justamente para acompanhar a evolução dos custos e oferecer referências comparáveis entre estados. Ele permite identificar tendências e diferenças regionais, mas não deve ser confundido com um índice de preços de venda dos imóveis.

Para os consumidores, o dado é útil principalmente como uma referência sobre o comportamento das despesas de construção. Já para incorporadoras e investidores, ele ajuda a avaliar a pressão sobre os orçamentos e a necessidade de preservar a produtividade.

Vantagem de Minas dependerá do controle dos próximos custos

O resultado de setembro mostra que Minas Gerais continua com uma vantagem de custo em relação à média brasileira, mas também evidencia que essa posição não garante estabilidade nos próximos meses. A mão de obra representa uma parcela relevante do orçamento e apresentou uma aceleração superior à dos materiais, criando um desafio para empresas que precisam equilibrar prazos, despesas e preços de venda.

Em um setor no qual os empreendimentos são planejados com anos de antecedência, mudanças persistentes nos custos podem afetar projetos que ainda estão em execução ou que serão lançados futuramente. A capacidade de negociar insumos, organizar equipes e reduzir desperdícios tende a ganhar importância para preservar a viabilidade financeira das obras.

Para Minas Gerais, o custo de R$ 1.866,17 por metro quadrado representa uma condição comparativamente favorável no mercado nacional. A manutenção dessa vantagem, entretanto, dependerá menos de uma fotografia isolada do indicador e mais da evolução dos salários, dos materiais e da produtividade da construção civil nos próximos trimestres.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.