Andar de transporte público em Belo Horizonte tem sido um desafio para os mais de 518 mil passageiros diários. O medo de contrair o novo coronavírus e a falta de álcool em gel preocupam a população da cidade. As reclamações dos passageiros e as fiscalizações levaram a BHTrans a aplicar 5.669 autuações às concessionárias de ônibus da capital entre os dias 27 de março e 09 de junho. A média é de três por hora.

Em março, passou a vigorar a primeira regra determinando medidas de limpeza e distanciamento que deveriam ser adotadas pelas empresas de transporte público. No entanto, muitos veículos ainda não estão tomando as medidas de segurança.

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Apesar das autuações, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SetraBH) afirma que foram instalados recipientes com álcool em gel 70% em toda a frota, nas bilheterias e nas linhas de bloqueios das estações. Além disso, o sindicato informou que o número de veículos disponibilizados e a quantidade de viagens atendem a demanda de passageiros de BH.

Criação de um comitê

Para diminuir as superlotações e os riscos do avanço no número de casos da COVID-19, os especialistas sugerem a criação de um comitê, formado por infectologistas, concessionárias e BHTrans.

“É preciso sentar, BHTrans, concessionárias e infectologistas, para discutir quais são os valores de risco toleráveis. Além disso, qual é o quadro de horário compatível com esses valores e, a partir daí, fazer uma avaliação do quadro operacional com a visão de ampliar e reduzir as viagens, de acordo com a necessidade”, sugeriu o engenheiro de transporte e professor aposentado da UFMG, Ronaldo Guimarães Gouveia.

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Para o especialista, outra estratégia seria fazer uma avaliação continua dos indicadores para manter ou alterar as estratégias de combate à superlotação. “A reavaliação pode ser feita de dez em dez ou de 15 em 15 dias para ajustar os parâmetros”, completou.