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Antes de BH existir, havia outra cidade: museu revela histórias do Curral Del Rei

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Muito antes de Belo Horizonte ser inaugurada como a nova capital de Minas Gerais, em 1897, o território já era ocupado por uma comunidade com quase dois séculos de história. O antigo Arraial do Curral Del Rei possuía moradias, atividades econômicas, manifestações religiosas, festas, relações sociais e tradições que foram profundamente transformadas durante a construção da capital planejada. Parte dessas memórias será revisitada neste sábado (24), durante uma programação gratuita no Museu Histórico Abílio Barreto, no bairro Cidade Jardim.

O encontro marca o lançamento do catálogo da exposição Travessias do Curral Del Rei, instalada no museu desde outubro de 2025. A publicação reúne registros e interpretações sobre a comunidade que existia antes da transformação urbanística e política responsável pela criação de Belo Horizonte.

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A programação será realizada das 14h30 às 18h e contará com uma roda de conversa e uma apresentação musical dedicada às ancestralidades do antigo arraial. Além do lançamento, o público poderá conhecer uma exposição que utiliza objetos, documentos, imagens e obras artísticas para reconstruir aspectos do cotidiano de seus antigos moradores.

Como era Belo Horizonte antes de se tornar capital?

A história da capital mineira costuma ser contada a partir da decisão de transferir a sede administrativa do estado de Ouro Preto para uma cidade planejada. A construção de Belo Horizonte, no fim do século XIX, passou a representar um projeto de modernização urbana e de reorganização política de Minas Gerais.

Entretanto, a região escolhida não era um território vazio. O Curral Del Rei já possuía uma comunidade estabelecida, com diferentes formas de organização social, manifestações culturais e atividades ligadas à vida cotidiana.

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A exposição procura mostrar essa dimensão anterior à capital, destacando que a fundação oficial de Belo Horizonte não representa o início da história de seu território.

Segundo a Prefeitura, o arraial reunia quase dois séculos de experiências sociais e culturais antes da implantação da nova cidade. A transformação urbanística alterou profundamente os espaços ocupados por essa população e contribuiu para que parte de suas histórias recebesse menor atenção na narrativa tradicional sobre a capital.

O objetivo da mostra não é diminuir a importância da criação de Belo Horizonte, mas ampliar a compreensão sobre as diferentes comunidades que participaram de sua formação.

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Casarão de 1883 preserva parte da cidade que desapareceu

O próprio Museu Histórico Abílio Barreto oferece um exemplo material dessa continuidade histórica.

Localizado na Avenida Prudente de Morais, o espaço possui um casarão construído em 1883, quando a região ainda fazia parte do território do Curral Del Rei. O imóvel pertenceu à antiga Fazenda do Leitão e permaneceu preservado durante as transformações urbanas que ocorreram posteriormente.

O edifício funciona como parte do conjunto arquitetônico do museu e ajuda a aproximar os visitantes das características do território anterior à capital planejada.

É justamente nesse casarão que está instalada a exposição Travessias do Curral Del Rei, com curadoria do historiador, escritor e professor Bruno Viveiros Martins.

A mostra reúne documentos, objetos, imagens, poesias e peças do acervo municipal para apresentar diferentes aspectos da vida cotidiana dos antigos habitantes. Entre os temas abordados estão as relações de trabalho, as manifestações religiosas, as expressões culturais e as formas de convivência daquela comunidade.

Uma das obras foi criada especialmente pelo artista plástico Jorge dos Anjos, que desenvolveu uma peça dedicada às ancestralidades do arraial.

Museu vai discutir memórias que ficaram fora da história oficial

O lançamento do catálogo será acompanhado pela roda de conversa “Memórias e desmemórias do Arraial Curral Del Rei”, com mediação de Bruno Viveiros Martins.

A atividade terá participação da escritora Adriane Garcia, do padre Mauro Luiz da Silva, de Pai Ricardo de Moura, da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, e do artista Jorge dos Anjos.

O encontro propõe discutir os diferentes registros históricos que sobreviveram à transformação do arraial em capital e também as experiências que receberam menor visibilidade ao longo do tempo.

A diversidade dos participantes permite abordar a memória da cidade por diferentes perspectivas, incluindo tradições religiosas, produção artística e relações sociais.

Nos intervalos da conversa, a Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente realizará a celebração musical Canto para os Ancestrais, dedicada às tradições e às pessoas que fizeram parte da formação daquele território.

A programação integra o projeto Museus Centro, desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Viaduto das Artes.

Exposição oferece outra maneira de conhecer Belo Horizonte

A iniciativa também representa uma oportunidade de turismo cultural para moradores e visitantes interessados em compreender como a cidade foi formada.

Em vez de apresentar Belo Horizonte exclusivamente por seus edifícios modernos e avenidas planejadas, o museu propõe observar as mudanças urbanas a partir das pessoas e das comunidades que já ocupavam aquele espaço.

O Museu Histórico Abílio Barreto foi inaugurado em 1943 e possui acervos relacionados à formação e ao desenvolvimento da capital. Seu conjunto inclui o casarão histórico, um edifício construído na década de 1990, jardins e espaços externos com objetos de diferentes períodos.

Entre os itens de grande porte expostos na área externa estão um bonde elétrico, uma locomotiva a vapor, um coche e um carro de boi. Esses elementos ajudam a contar diferentes etapas da história dos transportes e da organização urbana.

A visita à exposição Travessias do Curral Del Rei também pode ser combinada com outras mostras do museu, incluindo Belo Horizonte: Fora dos Planos, que aborda transformações da cidade e elementos que não aparecem com destaque na narrativa de seu planejamento original.

Como visitar a exposição e participar do lançamento?

O lançamento do catálogo acontecerá neste sábado, 24 de outubro, das 14h30 às 18h, no Museu Histórico Abílio Barreto, localizado na Avenida Prudente de Morais, número 202, no bairro Cidade Jardim.

A entrada é gratuita e a classificação é livre. A programação inclui o lançamento da publicação, a roda de conversa sobre o Curral Del Rei e a apresentação musical Canto para os Ancestrais.

Quem não conseguir participar do evento poderá visitar a exposição em outros dias. O museu funciona de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita.

A programação e os detalhes do lançamento estão disponíveis no comunicado oficial da Prefeitura de Belo Horizonte.

Para quem deseja conhecer a história da capital além de seus monumentos e cartões-postais, a exposição apresenta uma perspectiva importante: Belo Horizonte foi construída sobre um território que já possuía comunidades, tradições e memórias próprias, muitas das quais continuam presentes na identidade da cidade.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.