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Cinema gratuito em BH vai mostrar histórias de quilombos que poucos conhecem

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O Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, receberá a 9ª Mostra Cinema dos Quilombos, com uma programação gratuita dedicada às histórias, memórias e expressões culturais de comunidades quilombolas brasileiras. O evento foi anunciado pela Prefeitura para o período de 21 a 25 de outubro, com sessões de filmes e encontros com realizadores e lideranças tradicionais.

A programação reúne documentários, ficções e produções realizadas em diferentes regiões do país. Entre os temas estão a preservação de territórios, a transmissão de saberes entre gerações, as manifestações culturais e os desafios enfrentados por comunidades que mantêm tradições construídas ao longo de séculos.

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O diferencial da mostra está também na origem de parte dessas narrativas. Em vez de apresentar apenas filmes feitos sobre comunidades quilombolas, a seleção abre espaço para obras realizadas por pessoas ligadas a esses territórios, aproximando o público das experiências e perspectivas de seus próprios moradores.

Mostra traz histórias que vão além da resistência

A seleção inclui produções que abordam conflitos territoriais e desigualdades, mas não se limita a essas questões. Há filmes sobre música, dança, espiritualidade, relações familiares e conhecimentos tradicionais, compondo um retrato mais amplo das experiências quilombolas no Brasil.

Uma das produções é Percília, documentário de 2026 dirigido por Percília dos Santos Rosa e Bia Carvalho. O filme acompanha uma mestra da cultura Kalunga, raizeira e puxadora de sussa, manifestação cultural ligada às comunidades tradicionais de Goiás. A narrativa apresenta sua relação com as plantas do Cerrado, a família, a terra e as celebrações que fazem parte da vida comunitária.

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Outro destaque é Em busca da riqueza (quase) esquecida, de Naira Soares, lançado em 2025. A produção acompanha uma guardiã de memórias quilombolas e sua neta, que reconstroem histórias familiares e do território. O encontro entre gerações mostra como a transmissão oral continua sendo uma ferramenta importante para preservar experiências que nem sempre aparecem nos registros oficiais.

Em Benvindos, de Luana Cabral, a relação com o território assume outra dimensão. O documentário de 2025 acompanha moradores do Quilombo do Retiro e a organização comunitária em defesa da terra, diante de conflitos que ameaçam seu modo de vida.

Filmes produzidos em Minas também estão na programação

A mostra reserva espaço para produções relacionadas a comunidades mineiras. É o caso de Mãe do Ouro, documentário de 2025 realizado em Bias Fortes, na Zona da Mata. O filme acompanha jovens que partem em busca da lenda da Mãe do Ouro na comunidade quilombola Colônia do Paiol.

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A mesma comunidade aparece em A história do Maculelê, produção de 2026 que apresenta a permanência dessa manifestação cultural. As duas obras serão exibidas na sessão de abertura, marcada para quarta-feira (21), às 17h.

Outro documentário com vínculo mineiro é Águas sagradas, dirigido por Ana Terra em 2024. O filme apresenta a luta da comunidade quilombola Carolinos por saneamento básico e pela despoluição do Córrego do Cachoeirinha, relacionando a preservação ambiental às condições de vida e à identidade do território.

A presença desses filmes amplia a conexão da mostra com Minas Gerais. Embora as comunidades quilombolas sejam frequentemente lembradas por episódios do período colonial, suas histórias continuam sendo produzidas no presente, com manifestações culturais, disputas por direitos e experiências de organização próprias.

Veja os dias e horários das sessões gratuitas

Segundo a programação publicada no portal oficial do Cine Santa Tereza, as exibições estão distribuídas em sessões às 17h e às 19h, entre os dias 21 e 24 de outubro.

Na quarta-feira (21), a primeira sessão reunirá Mãe do Ouro, A história do Maculelê, De Barriga Pra Cima e Vão das Almas. Às 19h, serão exibidos Na pisada de vovó e Cordões e sinos de além-mar, com interpretação em Libras e sessão comentada.

Na quinta-feira (22), a programação começa às 17h com Em busca da riqueza (quase) esquecida e O brilho da herança. Às 19h, entram em cartaz Quem pode falar? e Fiota e o Coco Daiá.

Na sexta-feira (23), haverá exibição de O ano que a onça descansou e Viva quem serve às 17h. Às 19h, será apresentado o documentário Benvindos, também com recursos de acessibilidade em Libras.

No sábado (24), o público poderá assistir a Percília, Águas sagradas e Colônia do Paiol, às 17h. A sessão das 19h reunirá Kutala – Herdeiros Ancestrais e A.V.Ó – Ancestralidade Viva na Oralidade.

Embora o comunicado da Prefeitura mencione o período até 25 de outubro, a grade de exibições disponibilizada pelo cinema e pela organização da mostra detalha sessões até o dia 24. Não havia programação específica para o domingo (25) na relação consultada.

Como participar da mostra no Cine Santa Tereza

A entrada é gratuita, e os ingressos podem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla ou diretamente na bilheteria do cinema, 30 minutos antes das sessões, conforme disponibilidade.

O Cine Santa Tereza fica na Rua Estrela do Sul, 89, na Praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. A programação completa também está disponível no site oficial da Mostra Cinema dos Quilombos.

O evento se soma a outras iniciativas do cinema municipal que procuram ampliar o repertório cultural oferecido à população. Em agosto, por exemplo, o espaço recebeu uma mostra gratuita dedicada à cinematografia da Ucrânia, com filmes que apresentavam diferentes dimensões da identidade daquele país.

Agora, o destaque recai sobre histórias brasileiras ligadas a territórios e tradições que nem sempre encontram espaço nas salas comerciais. Com filmes recentes, encontros e acesso gratuito, a mostra oferece aos moradores de Belo Horizonte a oportunidade de conhecer essas narrativas diretamente pelo cinema.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.