O calor que vinha aparecendo nas previsões se transformou em recorde em Belo Horizonte. A capital registrou 36,6°C na tarde de terça-feira (29), na Pampulha, a maior temperatura de 2026. Apenas dois dias antes, no domingo (27), os termômetros já haviam chegado a 35,6°C em Venda Nova, marca que até então liderava o ranking anual.
A sequência confirma uma mudança importante em relação ao cenário observado no começo de setembro. Na ocasião, ainda não havia indicação de uma onda de calor generalizada atingindo Minas Gerais. Agora, Belo Horizonte está incluída na área afetada pelo fenômeno, e a Defesa Civil municipal mantém alerta para calor forte até quinta-feira (1º).
Ao mesmo tempo em que os termômetros subiram, mudou também o tipo de informação procurada pelos moradores. No Google Trends, pesquisas relacionadas à umidade do ar e à sensação térmica em Belo Horizonte ganharam força nos últimos sete dias em Minas Gerais. O comportamento ajuda a mostrar que o interesse deixou de estar concentrado apenas na previsão do tempo e passou para os efeitos práticos do calor sobre a rotina.
BH bateu o próprio recorde duas vezes em três dias
A temperatura de 36,6°C foi registrada às 15h de terça-feira na região da Pampulha. No mesmo momento, a umidade relativa mínima do ar chegou a 17%.
O recorde anterior havia durado apenas dois dias. No domingo, Venda Nova chegou aos 35,6°C. Antes disso, a maior temperatura de 2026 era de 35,4°C, registrada em 30 de agosto na Pampulha.
A concentração das maiores marcas no fim do inverno e início da primavera chama atenção. Setembro reúne seis das dez maiores temperaturas registradas na capital neste ano.
E o calor ainda não necessariamente atingiu o pico. A previsão divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para esta quarta-feira (30) indica máxima que pode chegar a 38°C em Belo Horizonte. Como se trata de uma previsão, o valor pode mudar ao longo do dia e não significa que a capital necessariamente alcançará essa temperatura.
O Inmet mantém grande parte de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, dentro da área de aviso para onda de calor.
Umidade e sensação térmica entram no radar dos moradores
O comportamento das pesquisas ajuda a dimensionar como uma sequência de dias excepcionalmente quentes muda as dúvidas da população. No recorte de Minas Gerais dos últimos sete dias observado no Google Trends, consultas relacionadas à “umidade do ar Belo Horizonte” e à “sensação térmica Belo Horizonte” apresentaram forte crescimento.
Também apareceram entre as consultas em ascensão termos relacionados à própria onda de calor e aos alertas meteorológicos.
Os dados do Trends precisam ser interpretados como indicadores de interesse relativo. Eles não mostram quantas pessoas fizeram determinada pesquisa e não servem para medir diretamente quantos moradores foram afetados pelo calor. O que permitem identificar é uma mudança rápida no interesse por determinados assuntos.
Neste caso, a movimentação coincide com a sequência de temperaturas elevadas. À medida que os termômetros avançaram, dúvidas sobre umidade e sensação térmica passaram a acompanhar as buscas pela previsão do tempo.
Prefeitura reforça ações durante a onda de calor
Com a permanência das altas temperaturas, a Prefeitura de Belo Horizonte reforçou medidas de proteção e hidratação, principalmente para a população em situação de rua.
Nesta quarta-feira (30), a administração municipal prevê a distribuição de copos de água na Praça da Estação. As equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social também mantêm atendimentos nas ruas durante manhã, tarde e noite.
A alimentação oferecida nos restaurantes populares e unidades de acolhimento foi adaptada para o período, com preparações mais leves, hortaliças, saladas e frutas com maior quantidade de água. Segundo a PBH, cerca de 2,5 mil refeições são oferecidas diariamente à população em situação de rua.
A capital também conta com pontos públicos de hidratação distribuídos pelas regionais e parques municipais, enquanto os alertas da Defesa Civil podem ser recebidos gratuitamente pelos moradores.
Calor deve continuar, mas tempo pode mudar
Apesar da onda de calor, o fim de setembro também marca uma mudança no padrão atmosférico de Minas Gerais. Uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical aumenta a instabilidade em partes do Sudeste e pode provocar chuva e trovoadas em diferentes regiões mineiras.
Isso cria um cenário que pode parecer contraditório: Belo Horizonte permanece sob influência da onda de calor enquanto áreas de Minas já enfrentam aumento da nebulosidade e possibilidade de tempestades.
A própria capital pode registrar mudanças após a sequência de tardes extremamente quentes. Por isso, o recorde de 36,6°C não significa necessariamente que todos os próximos dias terão temperaturas semelhantes.
Por enquanto, o dado mais concreto é que Belo Horizonte atravessa o período mais quente de 2026. Em apenas três dias, a cidade quebrou duas vezes o recorde anual, viu a umidade cair para níveis muito baixos e entrou oficialmente na área de uma onda de calor. O crescimento das pesquisas sobre sensação térmica e umidade mostra que a preocupação do morador já avançou da pergunta sobre “quantos graus vai fazer” para outra mais prática: como esse calor está sendo sentido e até quando ele vai continuar.


