Belo Horizonte já registrou 14.770 solicitações relacionadas a possíveis veículos abandonados nas ruas desde 2024, quando a Prefeitura iniciou uma operação específica para identificar e retirar automóveis nessas condições. Até agora, mais de 1,7 mil veículos foram removidos após a intervenção do poder público.
Os números divulgados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nesta quinta-feira (20) ajudam a dimensionar um problema que vai além da ocupação de vagas nas ruas. Segundo o município, veículos efetivamente abandonados podem representar risco à segurança, dificultar a circulação e até acumular água, transformando-se em possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Somente entre janeiro e 29 de julho de 2026, a operação resultou na retirada de 460 veículos das ruas e avenidas da capital. A maior parte dos casos foi resolvida antes que fosse necessário utilizar um guincho.
Dos 460 automóveis, 338 foram retirados pelos próprios proprietários após notificação da Prefeitura. Outros 122 precisaram ser encaminhados ao pátio da BHTrans.
Desde março de 2024, quando a iniciativa começou, 1.711 veículos em situação de abandono já foram retirados das vias de Belo Horizonte.
Carro parado há muito tempo não é necessariamente abandonado
A aparência de abandono ou o tempo que um veículo permanece estacionado no mesmo lugar não são suficientes, por si só, para permitir a remoção.
Segundo a BHTrans, os agentes analisam as condições do automóvel antes de classificá-lo dessa maneira.
Para ser considerado abandonado, o veículo deve estar sem condições de se locomover por meios próprios e apresentar algum tipo de risco relacionado à saúde, à segurança das pessoas ou ao meio ambiente.
Isso significa que um carro estacionado legalmente por um período prolongado não pode ser automaticamente recolhido apenas porque moradores entendem que ele está há muito tempo na mesma vaga.
A avaliação é feita após vistoria dos agentes de trânsito.
Como denunciar veículo abandonado em BH?
Moradores que identificarem um automóvel aparentemente abandonado podem solicitar uma vistoria diretamente à Prefeitura.
O pedido deve ser realizado pelo Portal de Serviços da PBH. Na solicitação, é necessário informar as características do veículo e sua localização exata, incluindo rua, número, bairro e, se possível, um ponto de referência.
A denúncia não provoca a remoção automática.
Após receber o chamado, agentes da BHTrans vão ao endereço indicado, verificam as condições do automóvel e conferem sua documentação. Se o abandono for constatado, o proprietário é identificado e notificado.
Proprietário recebe prazo antes da remoção
Depois da notificação, o responsável pelo veículo tem cinco dias úteis para retirá-lo do local.
Caso a Prefeitura não consiga fazer a comunicação por correspondência ou outro meio disponível, a notificação pode ser publicada por edital no Diário Oficial do Município.
Se o prazo terminar sem que o proprietário tome providências, o automóvel pode ser removido para o pátio.
A partir daí, começa outro prazo: o responsável possui até 60 dias para retirar o veículo do depósito. Caso isso não aconteça, o automóvel poderá ser encaminhado para leilão.
Os números da própria Prefeitura mostram que a notificação tem sido suficiente na maior parte dos casos registrados em 2026. Cerca de três em cada quatro veículos retirados das ruas neste ano foram removidos pelos donos antes da necessidade de encaminhamento ao pátio.
Lei mudou regras para retirar veículos abandonados
A ampliação das operações em Belo Horizonte tornou-se possível após uma mudança na legislação federal.
A Lei nº 14.599/2023 passou a permitir que órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito removam veículos abandonados mesmo quando não há outra infração ao Código de Trânsito Brasileiro.
Antes da alteração, a retirada estava condicionada à existência de uma infração de trânsito.
Em Belo Horizonte, a nova regra resultou na publicação de uma portaria conjunta da BHTrans e da Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob), em 2024, regulamentando o procedimento adotado na capital.
Além de liberar espaços nas vias públicas, a Prefeitura afirma que a operação busca reduzir situações de risco para moradores e eliminar pontos que possam favorecer a proliferação de mosquitos transmissores de dengue, zika e chikungunya.


