Belo Horizonte incorporou 454 ônibus novos ao transporte coletivo municipal entre 2025 e 2026, mas as empresas responsáveis pelo serviço também acumularam mais de 64 mil autuações no período. Os dados foram divulgados pela Prefeitura de Belo Horizonte ao apresentar um balanço das medidas adotadas para melhorar a qualidade das viagens na capital.
Segundo a administração municipal, 353 veículos novos entraram em circulação em 2025. Outros 101 ônibus foram adicionados à frota ao longo de 2026.
A renovação ocorre em paralelo à fiscalização das concessionárias, ao acompanhamento das viagens por GPS e à retenção de recursos quando as empresas deixam de cumprir os indicadores previstos na legislação municipal.
Somente no primeiro semestre de 2026, R$ 39,5 milhões da chamada remuneração complementar deixaram de ser repassados às operadoras por causa do descumprimento de critérios de qualidade.
Empresas de ônibus receberam mais de 64 mil autuações
Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, a fiscalização do transporte coletivo resultou em mais de 64 mil autuações às concessionárias que operam em Belo Horizonte.
As inspeções são realizadas diariamente por equipes da Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte, a Sumob, e da BHTrans.
Os agentes atuam em estações de integração, pontos finais, garagens e diferentes trechos dos itinerários. A operação dos ônibus também é acompanhada em tempo real pelo Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte, o COP-BH.
O monitoramento utiliza câmeras espalhadas pela cidade e os dados de localização dos veículos transmitidos por GPS.
Relatos enviados pelos próprios passageiros também podem orientar as fiscalizações. As reclamações podem ser registradas no Portal de Serviços da Prefeitura ou pelo WhatsApp da BHTrans, no número (31) 98472-5715.
Essas informações são usadas para identificar problemas recorrentes, avaliar pedidos de mudanças em itinerários, analisar a necessidade de mais viagens e planejar ações para determinadas regiões.
Por que a Prefeitura pode suspender repasses às empresas?
A Lei Municipal nº 11.458, de 2023, criou uma remuneração complementar destinada às empresas do transporte coletivo. O recebimento integral desses recursos, porém, depende do cumprimento de indicadores operacionais.
Entre os itens avaliados estão a limpeza e a conservação dos ônibus, a segurança das viagens, o funcionamento do ar-condicionado, a pontualidade e a realização dos horários programados.
Quando uma viagem não atende aos critérios estabelecidos, ela pode deixar de receber a remuneração complementar. A concessionária também fica sujeita a multas e outras penalidades administrativas.
A Sumob informou que abriu procedimentos administrativos após identificar uma queda nos indicadores de qualidade de algumas empresas durante o primeiro semestre de 2026.
O órgão ainda determinou que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte, o Setra-BH, e os consórcios adotassem medidas emergenciais. A atenção foi direcionada principalmente às operações nas regionais Barreiro e Nordeste.
BH tem frota com idade média de 4 anos e 10 meses
Com a entrada dos 454 veículos, a idade média da frota municipal chegou a quatro anos e dez meses. De acordo com os dados apresentados pela Prefeitura, Belo Horizonte possui atualmente a menor idade média entre as capitais brasileiras.
A média nacional seria de seis anos e cinco meses.
Os novos ônibus contam com ar-condicionado, suspensão a ar e elevadores para pessoas com mobilidade reduzida. Os motores seguem o padrão Euro 6, criado para limitar a emissão de poluentes por veículos pesados.
Segundo a PBH, essa tecnologia pode reduzir em até 80% a emissão de determinados poluentes em comparação com motores de padrões anteriores.
Atualmente, 92% dos ônibus municipais de Belo Horizonte possuem ar-condicionado. A administração afirma ainda que toda a frota é equipada com recursos de acessibilidade.
“O trabalho da Prefeitura é realizado em várias frentes. Belo Horizonte tem a menor idade média de frota entre todas as capitais brasileiras, com ônibus mais modernos, confortáveis e menos poluentes”, afirmou o superintendente de Mobilidade do Município, Frederico Augusto.
Catraca Livre transportou cerca de 9 milhões de passageiros

O balanço também inclui os resultados de programas criados para ampliar o acesso ao transporte coletivo.
Desde dezembro de 2025, o Catraca Livre permite o embarque gratuito nos ônibus municipais durante os domingos e feriados nacionais.
Nos primeiros seis meses de funcionamento, aproximadamente nove milhões de passageiros utilizaram o programa. A quantidade de pessoas transportadas aos domingos e feriados teria aumentado 40% após a implantação da gratuidade.
Outro projeto destacado foi o Madrugão, que mantém linhas em circulação por todas as regiões de Belo Horizonte entre meia-noite e 4h.
Nos seis primeiros meses, cerca de 345 mil passageiros foram transportados pelo serviço noturno.
BH prepara faixas exclusivas e 100 ônibus elétricos
A Prefeitura também anunciou investimentos na infraestrutura destinada ao transporte coletivo. Por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC, foram contratados R$ 139,4 milhões para intervenções de mobilidade.
O projeto prevê a implantação de 64,3 quilômetros de faixas exclusivas ou preferenciais para ônibus. Também estão planejados 51,3 quilômetros de expansão da estrutura cicloviária.
A primeira etapa das intervenções já foi concluída na Avenida João Pinheiro, na Praça da Liberdade e na Avenida Cristóvão Colombo, na Região Centro-Sul.
Entre os principais projetos está o Move Amazonas, que prevê 39,7 quilômetros de intervenções para priorizar os ônibus e reduzir o tempo dos deslocamentos no corredor da Avenida Amazonas.
A modernização da frota ainda prevê a chegada de 100 ônibus elétricos e a instalação de 27 carregadores. As licitações foram homologadas, e a expectativa da Prefeitura é que os primeiros veículos sejam entregues ainda em 2026.


