A Justiça de Minas Gerais autorizou o processamento da recuperação judicial do Grupo Saritur, conglomerado mineiro de transporte de passageiros que declarou passivo de R$ 959,75 milhões. A medida alcança um grupo de empresas com atuação rodoviária, urbana, metropolitana, turística e de fretamento. Em Belo Horizonte, a operação ligada à Saritur participa atualmente de 38 linhas municipais, algumas exclusivas e outras compartilhadas com empresas do mesmo consórcio.
A decisão da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte não significa que as dívidas foram perdoadas nem que um plano de pagamento já foi aprovado. A Justiça abriu formalmente o processo de reorganização, suspendeu parte das cobranças e protegeu ônibus, garagens, oficinas e recebíveis considerados necessários para manter os serviços em funcionamento. O grupo terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação.
Para o passageiro, a consequência imediata é a manutenção das viagens. A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a recuperação judicial não reduz as obrigações da concessionária, que continua responsável pelo cumprimento integral dos horários, pela conservação da frota e pela segurança dos veículos. A operação seguirá monitorada pela fiscalização municipal e pelo Centro de Operações da Prefeitura.
Grupo reúne Saritur, Transnorte e empresas urbanas
O pedido foi apresentado por 41 empresas ligadas ao Grupo Saritur. Entre as sociedades operacionais aparecem Saritur Santa Rita Transporte Urbano e Rodoviário, S&M Transportes, Transnorte, Autotrans, Turilessa, Viação Jardins, Viação Cidade Fabriciano, São Cristóvão Transportes, Companhia Coordenadas de Transportes e Coletivos Nossa Senhora de Lourdes. O processo também inclui holdings, locadoras, empresas patrimoniais e de tecnologia.
A Justiça reconheceu que, embora as companhias possuam registros e contratos próprios, elas funcionam com administração centralizada, estruturas compartilhadas, garantias cruzadas e integração financeira. Por isso, autorizou a apresentação de um plano único e de uma relação consolidada de credores.
Segundo o grupo, a crise começou com a perda de passageiros durante a pandemia de Covid-19. A demanda teria se recuperado de forma insuficiente, enquanto despesas com diesel, pneus, peças, manutenção e renovação dos ônibus continuaram pressionando o caixa. As empresas afirmam que renegociações e cortes de custos não foram suficientes para evitar o pedido judicial.
As ações e execuções relacionadas aos créditos sujeitos à recuperação foram suspensas por 180 dias, contados desde 28 de maio de 2026, quando as primeiras medidas cautelares foram concedidas. Bancos e outros credores também ficaram temporariamente impedidos de reter receitas operacionais de maneira que comprometa salários, combustível e manutenção.
Quais cidades são atendidas pela Saritur
Não existe uma lista única que represente toda a atuação do Grupo Saritur, porque o conglomerado opera por empresas, marcas e contratos diferentes. Uma linha municipal pode aparecer sob a S&M Transportes ou a Viação Cidade Fabriciano, enquanto viagens rodoviárias são comercializadas pelas marcas Saritur e Transnorte.
No transporte rodoviário, o catálogo atual da Saritur mostra conexões entre Belo Horizonte e dezenas de municípios mineiros. Entre os principais destinos estão Itabira, Guanhães, Sabinópolis, Peçanha, São João Evangelista, Virginópolis, Santa Maria de Itabira, Itamarandiba, Divinolândia de Minas e Santana do Paraíso.
A rede também alcança o Sul de Minas, com viagens para Lavras, Varginha, Alfenas, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Itajubá, Três Corações, Guaxupé, Muzambinho, Machado, Boa Esperança, Santa Rita do Sapucaí e São Gonçalo do Sapucaí.
No Centro-Oeste mineiro, aparecem rotas para Divinópolis, Oliveira, Formiga, Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Carmópolis de Minas, Passa Tempo, Piumhi, Capitólio, Passos, Itaú de Minas e São Sebastião do Paraíso. A empresa ainda oferece ligações para Serra do Cipó, Santana do Riacho, Baldim, Morro do Pilar, Ferros e cidades do Vale do Rio Doce.
O próprio site da companhia informa que sua rede de cargas e encomendas alcança mais de 130 cidades de Minas Gerais. Esse número, contudo, refere-se ao serviço logístico e não deve ser interpretado automaticamente como a quantidade de municípios com linhas regulares de passageiros.
Veja as 38 linhas ligadas à Saritur em BH

Na capital, a Saritur atua por meio da S&M Transportes, integrante do Consórcio BHLeste. Segundo relação fornecida pela Prefeitura de Belo Horizonte, a concessionária participa, de forma exclusiva ou compartilhada, das linhas 511, 705, 740, 806, 807, 808, 810, 811, 814, 823, 825, 826, 832, 901 e 902.
A lista inclui ainda as linhas 1031, 3501A, 5502C, 6031, 6350, 8001A, 9103, 9104, 9205, 9209, 9210, 9411 e 9550. Entre elas estão ligações de longa distância dentro da capital, como a 6350, entre as estações Barreiro e Vilarinho, e a 8001A, que conecta Santa Inês ao BH Shopping.
A S&M também participa das linhas MOVE 51, 63, 66, 68, 82, 83D, 83P e 85, além das circulares SC04A e SC04B. A operação atinge diferentes regiões da cidade, apesar de a empresa estar vinculada ao Consórcio BHLeste.
Entre os serviços mais conhecidos estão a 814, que liga a Estação São Gabriel ao Jardim Vitória; a 825, entre São Gabriel e Vitória II, com atendimento pela UPA Nordeste; a 9205, Nova Vista–Nova Cintra; e a 5502C, que atende Pousada Santo Antônio e o bairro Vitória.
A recuperação judicial ocorre após meses de reclamações sobre atrasos, viagens não realizadas, superlotação e problemas mecânicos em parte da operação municipal. Em maio, a Prefeitura realizou uma intervenção operacional emergencial na S&M Transportes e redistribuiu temporariamente viagens para outras concessionárias. Vinte e oito ônibus da empresa também haviam sido retirados de circulação por ultrapassarem a idade permitida.


