A integração entre os ônibus e o metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte será tema de uma audiência pública realizada nesta terça-feira (28) pela Câmara Municipal de BH. O encontro foi marcado para as 15h, no Plenário Helvécio Arantes, e reúne representantes dos governos municipal e estadual, além da concessionária Metrô BH.
O objetivo é discutir a viabilidade, o planejamento e possíveis melhorias na conexão entre os diferentes sistemas de transporte público. Embora a integração já exista em parte da rede, passageiros ainda enfrentam tarifas diferentes, cartões distintos e dificuldades para combinar ônibus municipais, linhas metropolitanas e metrô em uma mesma viagem.
A audiência foi solicitada pela vereadora Fernanda Pereira Altoé (Novo), presidente da Comissão Especial de Estudo sobre Contratos de Ônibus. Foram convidados representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, da Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte e da Metrô BH.
Integração existe, mas não funciona da mesma forma para todos
Atualmente, o metrô possui terminais com integração aos ônibus nas estações Eldorado, Lagoinha, José Cândido, São Gabriel e Vilarinho. Nessas regiões, as estações funcionam como pontos de conexão para passageiros que chegam de bairros da capital ou de municípios vizinhos.
A existência dos terminais, porém, não significa que todos os usuários tenham acesso ao mesmo modelo de integração. O valor pago depende do tipo de ônibus, do município de origem, do cartão utilizado e do trajeto realizado.
No sistema municipal de Belo Horizonte, o Cartão BHBUS permite integrar linhas de ônibus e metrô dentro de um período determinado, com desconto no segundo embarque. Passageiros das linhas metropolitanas normalmente utilizam o Cartão Ótimo, enquanto o transporte municipal de Contagem possui regras próprias.
Na prática, isso faz com que moradores de cidades diferentes paguem valores distintos para percorrer trajetos semelhantes. Também existem casos em que o passageiro precisa utilizar mais de um cartão ou verificar previamente se determinada linha está incluída na integração.
Tarifas aumentaram em 2026

O debate ocorre poucas semanas depois de um novo reajuste no metrô. Desde 1º de julho de 2026, a passagem passou de R$ 5,80 para R$ 6, após correção de 3,81% autorizada pelo Governo de Minas.
Com a atualização, as tarifas combinadas entre ônibus metropolitanos e metrô passaram a variar entre R$ 10,40 e R$ 14,20, conforme o trajeto e a modalidade de integração. Dentro de Belo Horizonte, os valores também mudam de acordo com o grupo tarifário da linha utilizada.
A tarifa predominante dos ônibus convencionais da capital, por sua vez, está em R$ 6,25 desde janeiro de 2026. O aumento do custo das duas modalidades reforça a discussão sobre como tornar a integração mais acessível para quem depende de mais de um veículo diariamente.
Um trabalhador que precisa utilizar ônibus e metrô na ida e na volta pode comprometer uma parcela considerável da renda apenas com transporte. Mesmo quando há desconto, o custo acumulado ao longo do mês continua sendo um dos principais pontos de reclamação dos passageiros.
O que pode ser discutido na audiência
Entre os assuntos que podem aparecer no encontro estão a ampliação da integração tarifária, a criação de conexões em novas estações, a compatibilidade entre os cartões e a reorganização das linhas alimentadoras.
Também poderá ser discutida a divisão de responsabilidades entre Prefeitura de Belo Horizonte, Governo de Minas, municípios da Região Metropolitana e concessionárias. O transporte da Grande BH é administrado por diferentes órgãos, o que exige acordos para que horários, tarifas e itinerários sejam planejados de forma conjunta.
Uma integração mais eficiente poderia permitir que parte das linhas de ônibus funcionasse como alimentadora do metrô, levando os passageiros até as estações em vez de percorrer longos trajetos até a região central. Para isso, entretanto, seria necessário garantir intervalos menores entre os trens, espaço suficiente nos veículos e preços que não penalizem quem precisa fazer a transferência.
A discussão ganha ainda mais peso com os projetos de expansão do sistema metroviário. A concessionária trabalha na extensão da Linha 1 até a Estação Novo Eldorado, em Contagem, além da implantação da Linha 2, que deverá ligar a região do Barreiro à área central de Belo Horizonte.
Com novas estações, cresce também a necessidade de reorganizar os ônibus que atendem os bairros e municípios próximos. Sem linhas alimentadoras, terminais adequados e integração tarifária, parte dos passageiros pode continuar preferindo trajetos diretos por ônibus, mesmo quando o metrô estiver disponível.
Comissão analisa contratos de ônibus de BH
A audiência faz parte dos trabalhos da Comissão Especial de Estudo sobre Contratos de Ônibus. O grupo foi criado para analisar o aumento das tarifas, a qualidade do serviço e os contratos que regulam o transporte coletivo da capital.
Segundo o requerimento que deu origem à comissão, o modelo atual “não tem respondido à demanda dos usuários”, principalmente diante do custo das passagens e das reclamações sobre a qualidade do serviço.
Além de Fernanda Pereira Altoé, a comissão tem Pedro Rousseff (PT) como relator. Também integram o grupo os vereadores Helton Junior (PSD), Pablo Almeida (PL) e Rudson Paixão (Solidariedade).
O trabalho da comissão deverá contribuir para as discussões sobre a nova licitação do transporte coletivo de Belo Horizonte, prevista para 2028. A integração com o metrô pode se tornar um dos pontos centrais do futuro modelo, especialmente diante da expansão da rede ferroviária e da necessidade de reduzir viagens longas realizadas exclusivamente por ônibus.
A audiência pode ser acompanhada presencialmente na Câmara Municipal, localizada na Avenida dos Andradas, número 3.100, no bairro Santa Efigênia. A reunião também terá transmissão pelos canais oficiais do Legislativo municipal.


