Há uns dois anos, fiz minha primeira matéria jornalística de rua e dentre outras coisas, entrevistei um garoto de programa do Barro Preto, onde coincidentemente eu moro.

Todo mundo comentava sobre o comércio sexual que acontecia atrás do Fórum e curioso, decidi ir conhecer e mostrar a vida dos garotos de programa. Também fiz um guia sobre as atrações do bairro (você pode conferir aqui).



Alisson e suas contradições

Alisson era o nome profissional dele. De dia, um então operador de telemarketing da empresa Azul. De noite, mercadoria sexual para homens dos mais variados tipos. Apesar de manter relações sexuais com homens, diz que não se considera gay.

“Eu gosto de mulher, me considero hétero. Mas sempre tem um cliente que não é muito feio e eu acabo curtindo, mas na maioria das vezes preciso usar drogas. Inclusive tem um lugar pra comprar aqui pertinho, se você curtir”, me disse ele.

Alisson tem um estilo bad boy e parece gay que não quer ser visto como gay. Mesmo me dizendo que se considerava hétero, contou também que preferia ficar com os clientes ativos. Ok então!

Um susto

“Uma vez meu pai quase me pegou conversando com um cliente. Eu estava escorado no carro do cliente um minuto antes do meu pai passar. Quando ele perguntou o que eu fazia ali, respondi que conversava com um amigo antigo. Ele não engoliu a história, mas ele sabe que conheço muitos podre dele, então não disse nada”, contou quando perguntei sobre alguma situação difícil.

Preço

Se assim como Alisson você um dia quiser fazer programas no Barro Preto, ele conta os preços: “O meu preço é de R$ 50, mas de primeira eu tenho que oferecer por R$ 70, porque o cara pode pedir um desconto”, explicou.



Locais

O programa é sempre no motel, quis saber. “Depende de onde o cliente vai querer. Muitos querem fazer no motel, mas sempre aparece alguém que quer no carro e de vez em quando uns chamam pra fazer na rua. Pra mim qualquer lugar é tranquilo”, respondeu ele.

Polícia

A polícia incomoda vocês? “Não! É muito de boa. Eles já fragam a gente e tão super acostumados com a gente”.

Sentimentos

Perguntei pro Alissom se já tinha rolado um sentimento por algum cliente e se ele costumava beijá-los. Eles me respondeu o seguinte: “Beijo, sim, mas prefiro os que têm todos os dentes. Já sentimento nunca não, mas quando aparece um mais boa pinta a gente torce pra voltar”.