Conhecida por ser a capital dos bares e restaurantes, Belo Horizonte tem os melhores roteiros noturnos para unir os amigos e jogar conversa fora enquanto bebem uma gelada. Segundo os dados da última pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel – MG), estima-se que são mais de 18 mil negócios alimentícios em Belo Horizonte, o que inclui os bares e restaurantes. E os que vêm chamando a atenção ainda mais do público são aqueles que unem a cerveja-gelada e o tira-gosto com atrações ligadas à cultura artística e literária.




Este é o caso do bar já premiado no ‘Comida de Boteco’, localizado na rua Esmeraldas, no bairro Prado. O barcriado em 2006 com uma veia artística que faz parte da agenda do boteco. “A missão é ser mais que um bar, é ter um lugar aberto para a cultura e a arte da capital”, explica Joana Castro, sócia proprietária do Butiquim. Segundo Joana, duas vezes ao ano a casa promove sarau de poesias e também faz exposições de pinturas e fotografias de artistas de Belo Horizonte e região.

Quem vai pode viajar no tempo e descobrir a riqueza literária do Brasil. É que, conforme a proprietária, que divide a direção do Agosto com o seu primo Lucas Brandão, até os nomes dos pratos homenageiam grandes obras da literatura Tupiniquim.“‘Dona Berinjela e seus dois quitutes’, que faz menção a ‘Dona Flor e seus dois maridos’, de Jorge Amado, e tem também o ‘Vazio carnudo prato cheio meio de tudo’, alusão ao poema de Paulo Leminski”. Em termos de venda, Joana conta que a temática do ambiente ajuda a fidelizar uma clientela que ela sabe que sempre voltará.

E se tratando de clientela, o La Movida Microteatro Bar entende bem. O lugar traz esquetes teatrais de artistas anônimos nas três salas de apresentação para um público fiel às artes cênicas de até 15 minutos. “É um diferencial não só para o meio artístico, mas na área do entretenimento e da boemia, também”, explica Guilherme Théo, idealizador e parceiro de Clarice Castanho no projeto La Movida. O bar de cenas curtas está instalado no casarão antigo, no bairro Funcionários, zona sul de BH.

Ator trata religiosidade e LGBT em peça de dois minutos no La Movida; Confira entrevista

Ator Bremmer Guimarães em ‘Escapulário’, no La Movida





Questionamentos sobre religiosidade, homossexualismo são temáticas que o ator Bremmer Guimarães tratou em sua performance ‘Escapulário’, um esquete de até dois minutos no La Movida Microteatro bar. “Tem um momento cênico na performance que o personagem entra em conflito com a própria sexualidade e acaba tendo uma conversa com Deus”, contou.

Além de abrir uma discussão sobre o que é ser homossexual, Bremmerlembra outros assuntos relacionados ao LGBT. “A peça fala da homofobia, do sexo sem camisinha e das doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS”.

Em cartaz durante cinco dias nessa casa, ‘Escapulário’ abria espaço para a interação do ator com o público, uma “troca de diálogo e criação compartilhada” como disse Bremmer, já que em certas cenas o personagem lia mensagens de usuários dos aplicativos de encontros entre pessoas do mesmo sexo para os espectadores. “E eram salas de até 15 pessoas, potencializando ainda mais esse encontro entre artista e espectador”, completa.

As apresentações ocorreram todas à noite, de 19h às 22h, e cada ator apresentava quatro vezes nas três salas disponíveis no La Movida Microteatro bar. “Isso de apresentar quatro vezes por noite é uma experiência de muito aprendizado, porque cada apresentação é única”, contou.




Ainda em processo de construção, a micropeça performática é fruto de um curso de artes cênicas do Cefart, do Palácio das Artes, onde Bremmer se formou como ator. ‘Escapulário’ estreou na 4ª Edição do Varejão do Teatro 171, ocasião em que teve a abertura da Mostra BH in Solos. Em fevereiro deste ano, a micro cena foi apresentada no Perfura Ateliê de Performance, durante dois meses, realizado no Sesc Palladium. O monólogo tem orientação cênica e dramatúrgica de Adélia Carvalho e Igor Leal na direção.

Bremmer disse que está trabalhando em cima de ‘Escapulário’, estendendo o tempo de apresentação colocando elementos para voltar com o monólogo para os palcos.