Imagine que está falando de futebol europeu com seus amigos, comparsas ou colegas de trabalho, enquanto fazem uma pausa em um boteco na Savassi, na Fleming ou no Maletta. Um de vocês aponta que o Real Madrid vai seguir na máxima força na Liga dos Campeões e será o provável vencedor em 2019.




Outro sugere que o investimento em Cristiano Ronaldo vai trazer resultados para a Juventus, e que junto com os outros reforços do time italiano, isso dará o título europeu para o português pela terceira equipe diferente. Um terceiro amigo diz que esse é o ano do Barcelona voltar às vitórias da Champions. “Vai uma aposta?”, dizem todos em coro.

Mas ainda não apostam nada uns com os outros. Pegam em seus celulares, acessam um site de apostas, veem as odds, e cada um aposta no seu.

Apostas proibidas, mas não

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Na teoria, apostar é ilegal, e se as apostas forem registradas em território brasileiro, isso pode causar problemas não só para o “broker” (palavra chique para descrever o cara que está recebendo o dinheiro e devolvendo prêmios) mas até para o próprio jogador. No Brasil, apostas só mesmo para o estatuto especial das corridas de cavalos.




Na prática, o que se passa é que as apostas registradas no exterior não são reguladas, e por isso não são proibidas. A lei nada tem que ver com isso. Como todos os grandes sites de apostas que divulgam seus serviços no Brasil são mantidos por empresas de outros países, não tem problema, nem para elas nem para os jogadores.

Hipótese: manter como está

Claro que existe um motivo para manter as apostas esportivas fora da esfera econômica e social. O risco de que exista um grande número de cidadãos perdendo sua renda em apostas sempre foi invocado, mas tem mais que isso; é mesmo a criação de uma cultura de vício na sociedade, em que a ganância do jogo e de ganhar dinheiro fácil está sempre presente. É uma questão cultural e de valores, essa.




Outra hipótese: liberar para regular

Entretanto, e independente do que se pense sobre o assunto, as apostas esportivas seguem crescendo, no Brasil como no mundo. O fato de grandes sites internacionais de apostas estarem patrocinando times de futebol nacionais começa sendo um alerta bem grande para toda a sociedade. Qualquer cidadão acessa sites como o ApostasBrazil para botar seu dinheiro nas competições que quiser. Com toda essa visibilidade, será útil manter tudo como está?

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O tema das apostas esportivas segue de perto o dos jogos de azar em geral, cuja liberação vem sendo discutida nos últimos anos. Assunto tão relevante e sensível que o Globo, para anunciar oficialmente sua mudança de posição, publicou um editorial dedicado ao jogo. Nesse artigo, o Globo aponta que é melhor liberar o jogo para regulá-lo e que seguir a política atual, de pretender que não existe aquilo que existe, não leva a melhores resultados.

Nos perguntamos se o Globo não terá uma certa razão nessa questão. Ou será que vale a pena continuar imaginando que não tem apostas esportivas na sociedade brasileira?